
Aqui, no centro de recuperação e reabilitação privado, oferta da minha mãe, não há contas para pagar.
Terapia única à base do silêncio absoluto do rumor das águas com pitadas de pio de mocho no fundo do terreno e essencias de erva molhada.
Não se riam que não é caso para isso, é só o meu quarto psiquiatricamente branco com uma flor deixada pela única pessoa que alguma vez me bateu de chinelo, cortada da japoneira no hábito das sextas-feiras da esperança que talvez eu passe por lá.
Tenho dois sapos borbulhosos e opulentos, lentos, a guardar-me a porta escondidos no canteiro das dálias que este ano ainda não ameaça despontar.
Este meu canto tem bichos e galhos-sombra, tem o farol que me alumia o quarto cada 3,4 segundos e tem a tua ausência a suar pelas paredes.