quinta-feira, agosto 17

Tomar um Renex como quem toma um Xanax. Para onde sai o próximo? Para a Anadia? Ui, que eu sempre quis ir à Anadia! Não é aí que se comem as melhores sandes de Leitão? Não?  Deixe lá, deve ser um melhor sítio onde se passar as insónias, que esta janela da cozinha já me cansa... não é que seja mau sítio, tem vistas de gente a chegar e a partir a todas as horas, e posso sempre espiar quem entra na cidade fora de horas. Por causa das insónias, tenho uma pós-graduação em como cruzar os braços enquanto se espera por uma boleia, um mestrado em abraços cheios de saudades, um pós-doc em olhar para o telemóvel a temer que se tenham esquecido de nós. Nas minhas noites de insónia - às vezes nem noite são, são insónias de final da tarde, ou de primeiras horas do dia em que não consigo sonhar - sento-me no tanque da roupa às vezes molhado a inventar de onde vem aquele autocarro, quanto tempo tem de saudades aquele abraço ou quantas noites serão felizes aqueles por cá.
Feito Xanax, espero os autocarros da Renex, vejo-os a despejar pessoas e malas e a engolir pessoas e malas e inspiro a coragem que não há de descer as escadas, de pijama, e entrar no primeiro, só perguntar depois de me sentar - para onde vai? Anadia? Sempre quis ir à Anadia.