sábado, julho 5

A falta que fazem as Sofias...

A falta que me faz o mundo que é só meu e que nem me atrevo a cantar... A Mitó, ontem, dentro do tanque, disse que quando começou a cantar o fado não contava a ninguém. Eu também não conto a ninguém que não sou de cá. Que não sou de 2008 nesta cidade. Que sou d'outras coisas. Que o meu mundo não é este nem é Marte e que não existe senão em mim. e que o meu umbigo é o único sítio a que posso chamar casa. E por isso tranco-me aqui por ser humano e ser gente.

Por isso bato a porta e agarro-me ao cordão umbilical que a avó Antonieta arrancou das mãos da parteira e que por isso não secou nunca. E por isso pouco interessa se cai uma chuva forte lá fora. Melhor ainda se cair uma chuva forte lá fora. Porque eu serei sempre aquela que passou férias com o Chico e com o Sérgio Godinho e que me sentei no jardim com o Eugénio de Andrade com maças e estátuas nas tardes dos muitos Setembros que hão de vir.