sexta-feira, dezembro 8
com o Chico arrumado e sem graça (como dói sofrer os heróis da infância, concertozinho politicamente correcto, a vender o último album que não sendo mau não tem cabrochas nem teresinhas nem sambas de faca e alguidar e que portanto foge do meu imaginário do carro apinhado rumo a um Porto Covo que já não existe - que também me dói a sinalização que aponta para a aldeia da minhas férias e que já lá não vai dar), com Budapeste e as suas termas ao ar livre à noite e ao frio (deliciosas) e os seus mil cafés com dimming light (porque é que este conceito não pega por cá? porque é que temos de levar com rfm´s aos gritos a tentarem calar a sportv e os neons da coka cola e pais-natal chineses a dar aos braços, provavelmente a tentarem fugir dali, em todos os cafés?) e o seu sol posto às três e meia por trás da botas do Lenine já no album de fotografias e, principalmente com o frio e a chuva a entrarem pela clarabóia, as orelhas dos gatos sempre geladas, os meus pés nem se fala, dou como aberta a época invernal!
referendo
Porque é que o governo não resolve de uma assentada as grandes questões sociais do nosso tempo, e submete a referendo a questão:
"Ao abrigo do programa da troca de seringas, e de forma a aumentar o prazo de concessão das SCUT, concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada num estabelecimento hospitalar onde é autorizada a prática da eutanásia a doentes adoptados por casais homossexuais, mediante o pagamento de uma taxa moderadora mínima?"
não fui eu que escrevi e nem sei quem citar, mas tenho pena, que é como quem diz que tenho fosforos de não ter isqueiro. de qualquer das formas, subscrevo.
"Ao abrigo do programa da troca de seringas, e de forma a aumentar o prazo de concessão das SCUT, concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada num estabelecimento hospitalar onde é autorizada a prática da eutanásia a doentes adoptados por casais homossexuais, mediante o pagamento de uma taxa moderadora mínima?"
não fui eu que escrevi e nem sei quem citar, mas tenho pena, que é como quem diz que tenho fosforos de não ter isqueiro. de qualquer das formas, subscrevo.
quarta-feira, novembro 15
sexta-feira, outubro 20
à dentista que está à escuta

o monstro saiu debaixo da cama que ainda não há por falta de horas para a procurar. desistiu de viver amarfanhado sob dois colchões, ou talvez tenham sido os gatos nas insistentes arradelas matinais que o tenham acordado de novo. o raio do monstro que me atormenta há já vários anos, acho que desde o dia em que fiz o último exame na faculdade, no dia dos meus 23 anos. economia para acabar em beleza. lembro-me de entrar no carocha DS-45-26 e atravessar o marão como se tudo tivesse acabado ali. para o bem e para o mal. com o monstro instalado e calado no lugar do morto. não morto, dormente. formigueiro corpo acima e confundir-se com a comichão da trepidação da suspensão que o carro nunca teve.
e agora outra vez (e entretanto tantas vezes) de que nada voltou a ser como era. para bem e para o mal. a clarividência de que nada volta a ser como foi. a começar pelos sonhos.
"nobody said it was easy, but nobody said that it would be this hard", ninguém falou das rasteiras, ninguém falou de contas nem que o peixe era bem mais caro que a carne e que a casa da mãe não ía estar sempre a dois passos. que os patrões eram uns aldrabões de primeira e que só pagam quando obrigados e que vão sempre colher os louros e varrer o resto para debaixo da mesa do antijogo. ninguém avisou que só vai a jogo quem tem dentes e o resto inventa na arrumação da casa um motivo para ser feliz.
hoje não tenho a casa arrumada e ouvi dizer de fonte segura que esta retracção gengival é irreversível e, já agora, que este cigarro cuja cinza ameaça o teclado não ajuda.
dentista querida, se ainda está por aí, manda-me uma embalagem de sensodyne pelo telefone. pode ser que o hálito fresco mate o monstro
segunda-feira, outubro 2
trago a preguiça toda no bolso de trás, a preguiça dos meus gatos, que agora são dois e já não preguiçam, que a arrumam dentro da mesinha de cabeceira logo de manhã, depois de lá arranjar espaço escolhendo-me vários pares de cuecas e meias que abandonam pelo chão do quarto. e não, não é a morrinha de outono que eu ainda estou no verão.
(por ainda estar no verão, ninguém me avisou, ninguém me avisa!, tenho roupa no estendal há já duas semanas e por algum mistério que não consigo deslindar continua tão molhada como no dia em que a pendurei. de qualquer da formas, este ano a temporada do patos vai ter de ser adiada. O Chico só chega cá no final deste outubro estival e toda a gente sabe que no Brasil é sempre verão. toda a gente sabe que o Chico é verão e viagens de carro país abaixo rumo ao sol. em novembro também não vai dar porque só os tolos é que vão para Budapeste no pino do outono, com frio e chuva e vento e eu nem tenho botas para aguentar esse tempo e tenho mesmo que lá ir que a mais pequena está para lá a estudar com o senhor erasmus morta de saudades de um mimo, nem que seja da mais do meio).
é mais uma preguiça manhosa, que me tenta todas as manhãs a ligar para a clínica com os dedos no nariz e nasalar uma insolação ou uma dor barriga insuportável (até me lembrar que os recibos verdes não têm baixa médica). é a vontade de ter um arroz de pato da minha mãe no congelador em vez de ter de inventar como é que se faz esparregado com aqueles espinafres que lá estão. é só este conforto-sandália de poder baixar os braços e saber que amanhã vai estar tudo na mesma, que ninguém arrumou, ninguém desarrumou o biquini do saco e que o martini vai ser de qualquer das formas servido às 8. é só esta ânsia de parar e encostar a cadeira para trás e ouvir a deliciosa chuva de verão
(por ainda estar no verão, ninguém me avisou, ninguém me avisa!, tenho roupa no estendal há já duas semanas e por algum mistério que não consigo deslindar continua tão molhada como no dia em que a pendurei. de qualquer da formas, este ano a temporada do patos vai ter de ser adiada. O Chico só chega cá no final deste outubro estival e toda a gente sabe que no Brasil é sempre verão. toda a gente sabe que o Chico é verão e viagens de carro país abaixo rumo ao sol. em novembro também não vai dar porque só os tolos é que vão para Budapeste no pino do outono, com frio e chuva e vento e eu nem tenho botas para aguentar esse tempo e tenho mesmo que lá ir que a mais pequena está para lá a estudar com o senhor erasmus morta de saudades de um mimo, nem que seja da mais do meio).
é mais uma preguiça manhosa, que me tenta todas as manhãs a ligar para a clínica com os dedos no nariz e nasalar uma insolação ou uma dor barriga insuportável (até me lembrar que os recibos verdes não têm baixa médica). é a vontade de ter um arroz de pato da minha mãe no congelador em vez de ter de inventar como é que se faz esparregado com aqueles espinafres que lá estão. é só este conforto-sandália de poder baixar os braços e saber que amanhã vai estar tudo na mesma, que ninguém arrumou, ninguém desarrumou o biquini do saco e que o martini vai ser de qualquer das formas servido às 8. é só esta ânsia de parar e encostar a cadeira para trás e ouvir a deliciosa chuva de verão
terça-feira, agosto 15
me and my big mouth
quando era míuda, quase ontem pelas minhas contas, o meu pai reclamava quando eu falava pelos cotovelos e tornozelos e outras articulações longínquas que tais e dizia - quando não tiveres nada para dizer e quiseres falar, diz pois!
pois parece que nunca aprendi e continuo a falar até pelas falanges e, às vezes, pelas pontas dos pés e quem me dera só dizer pois.
muitos pois em itálico quando (quando é aquela palavra que eu não sei teclar porque (para não dizer pois) sai-me sempre qunado, sabe-se lá porquê) são segredos ou ou em BOLD quando é grito mas esquece-se-me...
e o pior de tudo é que quando eu devia estar a dizer (ou a escrever) pois há sempre alguém à escuta. daí a mudança de morada. daí este silêncio engasgado (é que há por aqui umas histórias muito pouco interessantes, dignas de um grandessíssimo pois de acordo com o sábio meu pai) que vai ter de durar até que umas férias (por falar do assunto e só porque isto é coisa muito invulgar -O SUBSÍDIO DE FÉRIAS JÁ CÁ CANTA e nem sei o que se faz com este dinheiro todo (não liguem, não é dinheiro nenhum de jeito, não dá para férias de sonho nem pouco mais ou menos, mas a malta é pobre e todos os ouros a mais são uma loucura) dizia eu, até que umas férias ajudem a limpar esta alma faladora e confusa.
e, mais uma vez, tenho dito ;)
pois parece que nunca aprendi e continuo a falar até pelas falanges e, às vezes, pelas pontas dos pés e quem me dera só dizer pois.
muitos pois em itálico quando (quando é aquela palavra que eu não sei teclar porque (para não dizer pois) sai-me sempre qunado, sabe-se lá porquê) são segredos ou ou em BOLD quando é grito mas esquece-se-me...
e o pior de tudo é que quando eu devia estar a dizer (ou a escrever) pois há sempre alguém à escuta. daí a mudança de morada. daí este silêncio engasgado (é que há por aqui umas histórias muito pouco interessantes, dignas de um grandessíssimo pois de acordo com o sábio meu pai) que vai ter de durar até que umas férias (por falar do assunto e só porque isto é coisa muito invulgar -O SUBSÍDIO DE FÉRIAS JÁ CÁ CANTA e nem sei o que se faz com este dinheiro todo (não liguem, não é dinheiro nenhum de jeito, não dá para férias de sonho nem pouco mais ou menos, mas a malta é pobre e todos os ouros a mais são uma loucura) dizia eu, até que umas férias ajudem a limpar esta alma faladora e confusa.
e, mais uma vez, tenho dito ;)
quarta-feira, agosto 2
tu, eu e todos os que conhecemos

. . . ; ; . . . . . . . . ) ( . . ; : : : : : : : , , , . , . , : ; . . . . ) . . . . . ; ; ´ ' ' . , . , . , ' ; . , , , , , , :
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terça-feira, agosto 1
casamentos e divóricios
o sotão, que não é sotão e que nem aparece no plano que consta na camara municipal e que às custa do qual quase tivemos de pagar luvas ao inspector da vistoria que nos vinha garantir o IAJ (a lata que esta gente tem - não fosse a calmíssima e terna senhoria no seu fazer-se de desentendida bem estudado...) ora, o sotão que não é sotão e que foi criado sabe-se lá quando e por quem e que é composto por uma lavandaria gigantesca um quarto um quarto de banho e cem metros quadrados de arrumos (um crime, um verdadeiro crime, que se ali estivesse um terraço é que era e tinhamos a cidade toda aos nossos pés por uns míseros ouros (que é mesmo isso, que mesmo sem IAJ... a senhoria nem sabe o que isto vale, mas também não vou ser eu a dizer-lhe!... quando liguei para ver o apartamento ela disse tímida que não era um palácio e quando nos veio mostrar até parecia ter vergonha e eu nem vos conto porque tirando o papel de parede pavoroso (a quem tratamos da saúde, com algum esforço, diga-se) a casa é óptima).
mas o sotão, que não é sotão é mais um segundo piso, vive agora a mais recente separada que, por falta de cavalheirismo, teve de sair de casa enquanto o NHE se deprime com a vida que escolheu na dela.
eu admito que nunca fui fã dos namorados das amigas (ou das namoradas dos amigos) e não, não são os ciúmes típicos mas antes uma terrível sensação de desperdício, uma desilusão pela baixa fasquia de pessoas tão inteligentes. eu sei, o amor tem destas coisas, mas este NHE (NHE mesmo, como em pamoNHa ou NHaNHa ou raNHoso, como o próprio som de NHE) era o suprassumo da desilusão. Um ausente de si próprio que nem dá pela vida passar.
e portanto, pouco me importa que esteja a chorar baba e raNHo pela outra casa, 4 prédios acima, e que tenha posto a rapariga fora até acordar e descobrir que o mundo é cruel e só se dá para quem o quer.
e até pode demorar o tempo todo do mundo (que é bem provável) que a parede verde não é sentimalona e não se compadece com quem quer só o hábito ensosso dos dias cansados e por isso mesmo é, e será, porto seguro para quem tem fogo no rabo e gana como o Variações para mudar de vida.
e assim deixo aqui os parabéns àquela que se vai deitar tristíssima lá em cima com dores no peito e nos olhos e prometo estar cá amanhã, com ombros e tudo, para o que der e vier.
mas o sotão, que não é sotão é mais um segundo piso, vive agora a mais recente separada que, por falta de cavalheirismo, teve de sair de casa enquanto o NHE se deprime com a vida que escolheu na dela.
eu admito que nunca fui fã dos namorados das amigas (ou das namoradas dos amigos) e não, não são os ciúmes típicos mas antes uma terrível sensação de desperdício, uma desilusão pela baixa fasquia de pessoas tão inteligentes. eu sei, o amor tem destas coisas, mas este NHE (NHE mesmo, como em pamoNHa ou NHaNHa ou raNHoso, como o próprio som de NHE) era o suprassumo da desilusão. Um ausente de si próprio que nem dá pela vida passar.
e portanto, pouco me importa que esteja a chorar baba e raNHo pela outra casa, 4 prédios acima, e que tenha posto a rapariga fora até acordar e descobrir que o mundo é cruel e só se dá para quem o quer.
e até pode demorar o tempo todo do mundo (que é bem provável) que a parede verde não é sentimalona e não se compadece com quem quer só o hábito ensosso dos dias cansados e por isso mesmo é, e será, porto seguro para quem tem fogo no rabo e gana como o Variações para mudar de vida.
e assim deixo aqui os parabéns àquela que se vai deitar tristíssima lá em cima com dores no peito e nos olhos e prometo estar cá amanhã, com ombros e tudo, para o que der e vier.
sábado, julho 22

não sei se já vos contei, ou se a vossa perspicácia já deu por isso, mas este blog tem poderes. há anjos malvados com cornos e sorrisos maliciosos que mexem por estas bandas cordelinhos de fio de cana de pesca verde água.
bichinhos de perna da borrego que convecem a Adília a atirar para o chão o mal amado galo de barcelos da porta do frigorífico, que mandam o calor para o centro da Europa e que dão nova cor às segundas à noite.
isto para dizer que ontem tive a ponta das sapatilhas lavada por erva fresca ao som dos deliciosos Dead Combo com Guimarães e o seu castelo altaneiro iluminados ao fundo na noite.
e para informar que a partir de hoje, se este blog se transformar numa verdadeira carta ao pai natal, façam o favor de não estranhar
quinta-feira, julho 20
ausência de verão
é esta saudade das relvas orvalhadas a molharem a ponta das sapatilhas e o nevoeiro sobre o Lima e as noites em que o mar sua para a terra a maresia e obriga ao arrepiar dos pêlos.
é esta sensação veranil de que viver todos os dias cansa
é o cansaço de quem já não se lembra de um sábado sem trabalho quanto mais de umas fériazitas e que desconfia que se vai, mais uma vez, mudar de vida antes de as poder gozar.
é a cidade sem rio nem mar nem corrente de ar

e isto são só desculpas que a verdadeira razão sei-a eu e não a conto
é esta sensação veranil de que viver todos os dias cansa
é o cansaço de quem já não se lembra de um sábado sem trabalho quanto mais de umas fériazitas e que desconfia que se vai, mais uma vez, mudar de vida antes de as poder gozar.
é a cidade sem rio nem mar nem corrente de ar

e isto são só desculpas que a verdadeira razão sei-a eu e não a conto
terça-feira, julho 4
o carrossel dos esquisitos ou o circo esquizofrénico

ontem, a pequena sereia vestida de empregada do méxico fã dos Miami Dolphins, a irmã com lenço no cabelo e bigode do buço e o francês preto mascarado de pirata da Jamaica pelo Jean Paul Gaultier encontraram-se em Vila Nova de Famalicão para mostrar que a loucura tem os sons mais fabulosos do mundo.
chegamos a duvidar se não haveria ali playback pelo meio tal era a impossibilidade dos sons mas acabamos rendidos, qual rendidos, humilhados pela alucinação que só partilhamos por hora e meia.
quem perdeu, perdeu!
"all those beautiful boys
pimps and queens and criminal queers
all those beautiful boys
tattoos of ships and tattoos of tears"
quarta-feira, junho 28
aos anjos que me contrariam

as Coco Rosie vão estar na Casa das Artes de Famalicão na próxima segunda-feira 3 de Julho.
as Coco Rosie, as maravilhosas Coco Rosie!
já o JP diz que quando dEUS fecha uma porta abre uma janela (e diz com um sorriso, que fica no nono piso) e estes anjos que já há muito se passeiam por este blog trouxeram-mas para provar que as segundas à noite podem continuar a ser segundas à noite e que as vozes do céu não se vão calar.
"If every angel is terrible, why do you welcome them?"
aqui no meu canto, serão sempre benvindos!
segunda-feira, junho 26
estou de luto
e não me venham com merdas que eu sei que sou lamechas e sei que já chorei com filmes histórias da vida real da tvi mas não tem nada a ver com isto.hoje estou mesmo de luto e se calho de me cruzar com o argumentista não sei o que lhe faço.
eu raramente vejo televisão mas as segundas à noite são sagradas. há anos que as segundas à noite são sagradas, há anos que aquela família em que cada personagem sou eu inunda a casa (esta e outras por onde passei antes) de um silêncio gutural e deixa-me a cabeça com mil e uma angustias e apenas uma restia de felicidade por ainda estar viva. hoje mataram-me o Nate (riam-se à vontade) e foi como se me tivessem dado um tiro no pé ou no joelho, tanto que vou ter de levar um coração a mancar para a cama.
sexta-feira, junho 9
posta à valenciana
tinha uma posta escrita (para ti cara bonita) por terras de espanha (nuestros vecinos y no hermanos, como diz o outro), muito maldizente (tinha a minha cara!) fruto de um fim de semana de trabalho árduo numa terriola com vista para o mediterrâneo que me soube mal porque até é um crime o que eles (e nós) fizeram aquela costa tão apetecível. aquele mar tão verde e calmo (como esta casa nos dias bons) construído à boa moda das favelas brasileiras, os pimentos rellenos de frutos do mar abandonados para hamburguesas ainda para mais ranhosas É CRIME!
mas calo-a (à posta) porque dei no domingo com uma Valência absolutamente maravilhosa (fechada para siesta, mas maravilhosa) de calles e iglesias e gigolos à cata de estranjas e Calatrava à grande e à espanhola e calo-a (à posta) por vergonha que tansos somos nós tugas encafuados nas nossas cidades pouco dadas a rios de relva a atravessar a cidade e cúpulas azuis a brilhar nas vistas das torres de menáge.

o homem do talho do Froiz (que para grande mal é o super com melhor carne, melhores pimentos e melhor fiambre cá do pedaço, tudo made in Spain) que diz, com ar malicioso, que não não me pode tirar a gordura toda, afirma a pés juntos que nós é que somos os maiores (os mÁiores) só que não sabemos e vamos ganhar o campeonato e depois é que vamos ser ainda maiores (MÁIORES) e eu escondo-me por detrás de um sorriso, rumino que convencidos de que somos os maiores estamos nós desde o século XV e eis o resultado, e quase rezo para que Angola nos faça suar as estopinhas no domingo e que vão todos dançar a Kizomba da vitória para o terreiro do paço, aproveitando a ausência do outro mais a sua calibre 12 na alemanha a discursar para outros que tais. e tenho dito.
(e desdigo-o já num instante, não se preocupem)
e nem o facto de a paella ser melhor cá em casa do que por terras espanholas nos salva do ridículo de sermos os maiores há tanto tempo e ainda marcarmos greves para fins de semana mega-giga prolongados nas quarteiras da nossa linda costa!
mas calo-a (à posta) porque dei no domingo com uma Valência absolutamente maravilhosa (fechada para siesta, mas maravilhosa) de calles e iglesias e gigolos à cata de estranjas e Calatrava à grande e à espanhola e calo-a (à posta) por vergonha que tansos somos nós tugas encafuados nas nossas cidades pouco dadas a rios de relva a atravessar a cidade e cúpulas azuis a brilhar nas vistas das torres de menáge.

o homem do talho do Froiz (que para grande mal é o super com melhor carne, melhores pimentos e melhor fiambre cá do pedaço, tudo made in Spain) que diz, com ar malicioso, que não não me pode tirar a gordura toda, afirma a pés juntos que nós é que somos os maiores (os mÁiores) só que não sabemos e vamos ganhar o campeonato e depois é que vamos ser ainda maiores (MÁIORES) e eu escondo-me por detrás de um sorriso, rumino que convencidos de que somos os maiores estamos nós desde o século XV e eis o resultado, e quase rezo para que Angola nos faça suar as estopinhas no domingo e que vão todos dançar a Kizomba da vitória para o terreiro do paço, aproveitando a ausência do outro mais a sua calibre 12 na alemanha a discursar para outros que tais. e tenho dito.
(e desdigo-o já num instante, não se preocupem)
e nem o facto de a paella ser melhor cá em casa do que por terras espanholas nos salva do ridículo de sermos os maiores há tanto tempo e ainda marcarmos greves para fins de semana mega-giga prolongados nas quarteiras da nossa linda costa!
posta chinesa
não é económico ir para a cama cedo para poupar velas se o resultado são gémeos (provébio chinês)- diz-me o meu rapaz dos apontamentos de económia, todo contente por ter um motivo para sorrir no meio do castigo que é a cadeira, que economia não é o forte dele - ele é mais do esbanja enquanto podes, não vá amanhã cair um vaivém sobre a cidade ou um maremoto galgar os 50km que nos separam da costa e nos afundar neste 3º andar e ainda termos uns ouros na conta à ordem. eu rio, mas ou maremoto chega na próxima semana ou não corremos esse risco e essa é que é essa. não tem mal nenhum até porque temos o congelador cheio e até temos salmão fumado para as sandes com rúcula e queijo fresco e se tudo o resto faltar ainda temos 5 embalagens de kellog's de chocolate que alguém manda cá para casa à dose de 1 por mês e que nenhum de nós se lembrou de comer.
mas não tem mesmo mal nenhum desde que haja dinheiro para pagar a luz porque gémeos nesta altura era tudo o que não nos fazia falta.
o luiz pacheco, com quem vou para a cama nas últimas noites (sob a forma dos Exercícios de Estilo) havia de se rir também e dizer que se a luz faltar até ao Inverno os gémeos não eram assim tão má ideia (para aquecer a cama), e havia de, como eu, seguir o passeio pela cidade idolátrica.
mas não tem mesmo mal nenhum desde que haja dinheiro para pagar a luz porque gémeos nesta altura era tudo o que não nos fazia falta.
o luiz pacheco, com quem vou para a cama nas últimas noites (sob a forma dos Exercícios de Estilo) havia de se rir também e dizer que se a luz faltar até ao Inverno os gémeos não eram assim tão má ideia (para aquecer a cama), e havia de, como eu, seguir o passeio pela cidade idolátrica.
sábado, maio 27
Síndrome Pré-Menstrual
Transtorno disfórico pré menstrual presente na maioria dos ciclos mentruais. Os sintomas (irritabilidade, cansaço, mudanças de humor, compulsão para consumo de alimentos, tensão, seios doridos, ansiedade, inchaço, depressão, cólicas, sensação de perda de controlo, dores contínuas, má coordenação, cefaleias, confusão, insónias) apresentam-se regularmente durante a última semana da fase lútea e apresentam remissão alguns dias após o início da menstruação. Estes sintomas devem ser suficientemente severos para interferir acentuadamente nas actividades habituais da mulher e devem estar completamente ausentes uma semana após a menstruação.
e assim fica quase tudo explicado.
ou seja, é só mais uma maneira de explicar de uma forma mais científica, recorrendo à patologia médica, esta fraqueza que se me deu no peito, aqui do lado esquerdo (um pouco mais acima, aí!) e que opto por arrumar a um canto embora saiba que volta, porque esta coisas são mesmo assim e se acuso a famosa síndrome (que como todas as síndromes (palavra tão feia), não é mais do que um conjunto de sintomas que ocorrem em conjunto em vários indíviduos, sem que se tenha ainda determinado qual a enzima ou proteína ou ciclo os induzem) é porque sei que para o mês que vem posso reclamar do mesmo e voltar a adiar o problema com um beijo.
fraquezas de mulher...
e assim fica quase tudo explicado.
ou seja, é só mais uma maneira de explicar de uma forma mais científica, recorrendo à patologia médica, esta fraqueza que se me deu no peito, aqui do lado esquerdo (um pouco mais acima, aí!) e que opto por arrumar a um canto embora saiba que volta, porque esta coisas são mesmo assim e se acuso a famosa síndrome (que como todas as síndromes (palavra tão feia), não é mais do que um conjunto de sintomas que ocorrem em conjunto em vários indíviduos, sem que se tenha ainda determinado qual a enzima ou proteína ou ciclo os induzem) é porque sei que para o mês que vem posso reclamar do mesmo e voltar a adiar o problema com um beijo.
fraquezas de mulher...
sexta-feira, maio 19

os dezanove estão de mal comigo. e sim, são as noites o pior.
os cactos foram morrendo pouco a pouco nos últimos meses. o último, o meu mais adorado, o fálico quase digno do Entroncamento, deu hoje o último grito de dor e morreu pelo pé, uma semana depois de ter quebrado pela cintura. A natureza move-se de formas misteriosas.
acordei hoje às seis da manhã a tentar, deste quarto no 3º andar, ouvir os teus passos na rua, persianas corridas, o ouvido de tísica esticado fachada abaixo e a Adília com um ataque de asma e o prenúncio de que as palavras estão gastas. já nada em ti me pede água.
a matemática dá-me hoje a volta (eu, que era tão boa a matemática, ciência tão deliciosamente exacta neste mundo tão cheio de incertezas) e diz que, afinal, a equação mais simples de todas é por vezes a mais difícil de resolver e um mais um já não sabem ser dois.
desligo a caneta e o Erlend Oye sopra "i don´t know what i can save you from"
provavelmente não posso
deixo-te de presente a liberdade toda
quinta-feira, maio 18

e esta obrigação de ser feliz que dá o sabor acre-derrota à vida, como secura, como se cura?
se soubesse cantar, chorava um chorinho à Chico, entrava no carro apertado rumo a Porto Covo na era pré-Rui Veloso, os 5 no carro e a cassete velhinha riscada pelas nossas vozes em coro a saltar exactamente quando elas se encontravam na mesma rua, olhando-se com a mesma dor e esta tensão nos ombros, coluna abaixo, nas plantas dos pés evaporavam-se na infinita felicidade de ter 5 anos
sexta-feira, maio 12
e hoje por fim termina a (quase desesperante) espera. hoje saio da janela e não espero mais o sr. clix. o divórcio está quase a adar entrada no juiz da paz com pedido de subsidio de alimentação modesto (para uns jantarzinhos bons numa taverna que eu cá sei), coisa pouca, só para amainar estar acidez gástrica que a raivazinha miúda traz. é que estas coisas são mesmo assim, não há divórcios felizes (não me venham com histórias) e se o sr clix nunca me fez chorar, deixou-me à espera mais do que uma mulher aguenta (e acreditem que aguenta muito!). já o Vinicius cantava baixinho
"tantas você fez
que ela cansou
porque você rapaz
abusou da regra três
onde menos vale mais
da primeira vez ela chorou
mas resolveu ficar
porque os momentos felizes
tinham deixado raízes no seu penar
depois perdeu a esperança
porque o perdão
também cansa de perdoar"
e o homem sabia destas coisa e o sr clix não. e por ser um ignorante leva com um divórcio em cima que é o que merece.
e estou aqui com coisas só para dizer que a casa da parede verde tem finalmente acesso ao mundo, com novo fornecedor que, por ainda não ter metido o pé na argola, ainda se safa de publicidade.
não prometo ser mais assídua muito menos pontual (as minhas avaliações da escola primária começavam sempre por Assídua mas muito pouco pontual, graças aos meus pais consegui algumas vezes safar-me de entregar os malfadados e raramente concretizados trabalhos de casa) mas prometo (se ainda alguém se lembra do que eu estava a dizer antes do regresso à escola) mas prometo, dizia eu antes de me interromper (outra vez) inventar novos culpados pa ra a minha falta de presença (ou de imaginação ou de inspiração divina) por estas bandas.
agora abandono esta posta com a desculpa de que o meu gmail abarrota-se de mails de ler e deitar fora que tenciono arrumar
se me dão licença
"tantas você fez
que ela cansou
porque você rapaz
abusou da regra três
onde menos vale mais
da primeira vez ela chorou
mas resolveu ficar
porque os momentos felizes
tinham deixado raízes no seu penar
depois perdeu a esperança
porque o perdão
também cansa de perdoar"
e o homem sabia destas coisa e o sr clix não. e por ser um ignorante leva com um divórcio em cima que é o que merece.
e estou aqui com coisas só para dizer que a casa da parede verde tem finalmente acesso ao mundo, com novo fornecedor que, por ainda não ter metido o pé na argola, ainda se safa de publicidade.
não prometo ser mais assídua muito menos pontual (as minhas avaliações da escola primária começavam sempre por Assídua mas muito pouco pontual, graças aos meus pais consegui algumas vezes safar-me de entregar os malfadados e raramente concretizados trabalhos de casa) mas prometo (se ainda alguém se lembra do que eu estava a dizer antes do regresso à escola) mas prometo, dizia eu antes de me interromper (outra vez) inventar novos culpados pa ra a minha falta de presença (ou de imaginação ou de inspiração divina) por estas bandas.
agora abandono esta posta com a desculpa de que o meu gmail abarrota-se de mails de ler e deitar fora que tenciono arrumar
se me dão licença
quarta-feira, abril 19
ele há dias assim. nao devia. pero que los hai...
4am e em vez de dormir o sono dos justos (que volta e meio mereço) decido que está na hora de começar o pior dia de que me lembro e chateio-me com o meu homem. coisa feia. nada daquelas discussõezinhas ranhosas do dia a dia. a sério. daquelas que exigem uns comprimidos especiais para dormir. na dose de 2.
9.47am e o despertador não toca porque o telemóvel se descarregou durante a noite apesar de ligado ao carregador, na tomada que volta e meia não funciona. acordo a horas ainda só quase indecentes graças ao relógio que constantemente tique-taca na minha cabeça, abdico do leito e do creme da cara.
9.55am entro no carro que não pega. ou melhor, que nem pia. tenho 5 minutos, agora já só 4 para chegar à clínica. corro para o mecânico no fundo da rua onde deixo a chave abandonada com a matrícula e uma localização aproximada. desejo-lhes boa sorte enquanto subo a rua.
10am Ligo para a clínica e não tenho saldo no telefone. Corro para casa e acordo o meu homem que ainda odeio e implor por boleia.
11.45am telefonema da garagem. a bateria acabou de morrer. nem um suspiro mais. nova bateria 93.99€.
20pm fui beber uma green à Brasileira para descontrair. que boa ideia, pensam vocês? não! liga o homem do gás e a minha grren vai-me custar um banho com água morna. o homem do gás não pode esperar. passa amanhã de manhã.
22pm esquentador desligado e teima em não ligar. 15 minutos na cozinha descalça e com os pés gelados já molhados.
22.30pm banho com água morma, menos morna, quase fria, fria. na ânsia de mais uma gota que fosse para salvar o dia e parto a torneira da água quente (acreditem que não foi difícil, foi só um toquezinho enraivecido)
Como dia ainda não tinha acabado e já era absolutamente impossivel de salvar, decido entrar em dieta e janto um ovo cozido com um tomate!
Amanhã espero ter 5kg a menos. se sobreviver!
9.47am e o despertador não toca porque o telemóvel se descarregou durante a noite apesar de ligado ao carregador, na tomada que volta e meia não funciona. acordo a horas ainda só quase indecentes graças ao relógio que constantemente tique-taca na minha cabeça, abdico do leito e do creme da cara.
9.55am entro no carro que não pega. ou melhor, que nem pia. tenho 5 minutos, agora já só 4 para chegar à clínica. corro para o mecânico no fundo da rua onde deixo a chave abandonada com a matrícula e uma localização aproximada. desejo-lhes boa sorte enquanto subo a rua.
10am Ligo para a clínica e não tenho saldo no telefone. Corro para casa e acordo o meu homem que ainda odeio e implor por boleia.
11.45am telefonema da garagem. a bateria acabou de morrer. nem um suspiro mais. nova bateria 93.99€.
20pm fui beber uma green à Brasileira para descontrair. que boa ideia, pensam vocês? não! liga o homem do gás e a minha grren vai-me custar um banho com água morna. o homem do gás não pode esperar. passa amanhã de manhã.
22pm esquentador desligado e teima em não ligar. 15 minutos na cozinha descalça e com os pés gelados já molhados.
22.30pm banho com água morma, menos morna, quase fria, fria. na ânsia de mais uma gota que fosse para salvar o dia e parto a torneira da água quente (acreditem que não foi difícil, foi só um toquezinho enraivecido)
Como dia ainda não tinha acabado e já era absolutamente impossivel de salvar, decido entrar em dieta e janto um ovo cozido com um tomate!
Amanhã espero ter 5kg a menos. se sobreviver!
domingo, março 12
Fui à terrinha

Aqui, no centro de recuperação e reabilitação privado, oferta da minha mãe, não há contas para pagar.
Terapia única à base do silêncio absoluto do rumor das águas com pitadas de pio de mocho no fundo do terreno e essencias de erva molhada.
Não se riam que não é caso para isso, é só o meu quarto psiquiatricamente branco com uma flor deixada pela única pessoa que alguma vez me bateu de chinelo, cortada da japoneira no hábito das sextas-feiras da esperança que talvez eu passe por lá.
Tenho dois sapos borbulhosos e opulentos, lentos, a guardar-me a porta escondidos no canteiro das dálias que este ano ainda não ameaça despontar.
Este meu canto tem bichos e galhos-sombra, tem o farol que me alumia o quarto cada 3,4 segundos e tem a tua ausência a suar pelas paredes.
quarta-feira, fevereiro 15
leituras

"Allegro ma non troppo" é só o mais delicioso ensaio sobre a estupidez humana.
O mundo reduzido à sua própria (in)significância num livro cheio de humor (de bom humor, diga-se de passagem).
As suas leis fundamentais são pérolas e deixo aqui as três primeiras só para abrir o apetite.
Primeira lei fundamental - "cada um de nós substima sempre e inevitavelmente o número de indivíduos estúpidos em circulação."
Segunda lei fundamental - "a probabilidade de uma certa pessoa ser estúpida é independente de qualquer outra característica dessa mesma pessoa."
Terceira lei fundamental - "uma pessoa estúpida é aquela que causa dano a outra pessoa ou grupo de pessoas sem que disso resulte alguma vantagem para si, ou podendo até vir a sofrer um prejuízo."
"allegro ma non troppo
pimenta, vinho (e lã) no desenvolvimento económico medieval
as leis fundamentais da estupidez humana"
Carlo M. Cipolla
Celta Editora
O mundo reduzido à sua própria (in)significância num livro cheio de humor (de bom humor, diga-se de passagem).
As suas leis fundamentais são pérolas e deixo aqui as três primeiras só para abrir o apetite.
Primeira lei fundamental - "cada um de nós substima sempre e inevitavelmente o número de indivíduos estúpidos em circulação."
Segunda lei fundamental - "a probabilidade de uma certa pessoa ser estúpida é independente de qualquer outra característica dessa mesma pessoa."
Terceira lei fundamental - "uma pessoa estúpida é aquela que causa dano a outra pessoa ou grupo de pessoas sem que disso resulte alguma vantagem para si, ou podendo até vir a sofrer um prejuízo."
"allegro ma non troppo
pimenta, vinho (e lã) no desenvolvimento económico medieval
as leis fundamentais da estupidez humana"
Carlo M. Cipolla
Celta Editora
quarta-feira, fevereiro 1
smog 3 minutos antes de a maré encher
este cimêncio que me persegue coberto de neve caiu sem avisar ninguém eu que fugi do Norte e da vaga de frio para lá marcada que só a ideia arrefece-me os pés e anseio pelo botija entalada nos joelhos debaixo do meu quarto castanho-chocolate quente. e por isso rumo ao Sul e a entrada de lisboa, 30km de cimêncio e camiões como no livro que tanto procurei e que tropeçou-me nos olhos dois anos depois e que te deixo sem nota sobre a tua almofada. e rumamos os dois ao Sul e o cimêncio das duas da manhã aperta-nos as mãos um no outro. Lisboa de corrida e eu que não sou dali e tu não és de lá perdidos na cril e perdidos na crel e cimêcio a toda a volta, sem o verde de uma árvore a assinalar o caminho, sem o verde da parede das nossas noites e a neve a barrar-nos o caminho de regresso. o carro cheio, atolado não na neve mas nas compras que somos da província.
e hoje, já com tapete no chão da sala (só hoje descubro que me faltava como água, que eu não sei sentar-me senão no chão, resultado de sofás amarelo pálido na casa da mãe e jean indignos indigo imundos) sentada com o puff a fazer de encosto e aquecedor ao fundo da sala, a resistir ao ninho (pareço uma velha no inverno, e diz o homem que adoro que tem saudades dos dias em que a esta hora é dia e o é até às onze e saímos de casa para uma cerveja só porque está calor e eu hoje não queria que estou aqui tão bem, vestida de velha neste inverno de Norte, verde) e novo cimêncio ataca pelas colunas velhinhas e fabulosas, ataca como o gume da navalha e a Adília, a outra, não a minha, diz que
'os homens portugueses
são inseguros
são feios
são baixos
não têm sentido de humor
ou têm sentido de humor
que me arrepia
e me arrelia
não estudaram
nem estudam
geografia
e acham-se dispensados
de o fazer
não sabem jogar xadrez
nem damas
não reparam em mim
(eu reparo neles)
há portugueses
e portugueses, claro
mas um português
que não é como eu disse
e raro
que chatice'
e a Maria Antónia não a canta e eu bem a procuro, faixa escondida, entrelinha e nada, nem um acorde neste disco suburbano sofrido que ainda está por sair, sucessor dos olhos de boga. mas está lá. está de presente para os que comprarem o disco que só é meu hábito para uns poucos que me como estes me sopram para dentro que vinte euros é muito dinheiro. e ainda não saiu mas já é um alívio que agora que as rádios vão ter de ceder ao clientelismo nacional e ou passam os poucos bons com frequência de massacre ou vamos ter de levar com os Davids Fonsecas a chorar (até para chorar é preciso ter jeito) o que faz com que qualquer notícia de novos albuns de almas frescas, tipo pão de água, urbanas suburbanas ou rurais atiram-me um sorriso estúpido para a cara.
e hoje digo a Adília, à minha e à outra, que os homens portugueses são inseguros e feios e baixos mas há portugueses e portugueses e a mim saiu-me um dos outros
e hoje, já com tapete no chão da sala (só hoje descubro que me faltava como água, que eu não sei sentar-me senão no chão, resultado de sofás amarelo pálido na casa da mãe e jean indignos indigo imundos) sentada com o puff a fazer de encosto e aquecedor ao fundo da sala, a resistir ao ninho (pareço uma velha no inverno, e diz o homem que adoro que tem saudades dos dias em que a esta hora é dia e o é até às onze e saímos de casa para uma cerveja só porque está calor e eu hoje não queria que estou aqui tão bem, vestida de velha neste inverno de Norte, verde) e novo cimêncio ataca pelas colunas velhinhas e fabulosas, ataca como o gume da navalha e a Adília, a outra, não a minha, diz que
'os homens portugueses
são inseguros
são feios
são baixos
não têm sentido de humor
ou têm sentido de humor
que me arrepia
e me arrelia
não estudaram
nem estudam
geografia
e acham-se dispensados
de o fazer
não sabem jogar xadrez
nem damas
não reparam em mim
(eu reparo neles)
há portugueses
e portugueses, claro
mas um português
que não é como eu disse
e raro
que chatice'
e a Maria Antónia não a canta e eu bem a procuro, faixa escondida, entrelinha e nada, nem um acorde neste disco suburbano sofrido que ainda está por sair, sucessor dos olhos de boga. mas está lá. está de presente para os que comprarem o disco que só é meu hábito para uns poucos que me como estes me sopram para dentro que vinte euros é muito dinheiro. e ainda não saiu mas já é um alívio que agora que as rádios vão ter de ceder ao clientelismo nacional e ou passam os poucos bons com frequência de massacre ou vamos ter de levar com os Davids Fonsecas a chorar (até para chorar é preciso ter jeito) o que faz com que qualquer notícia de novos albuns de almas frescas, tipo pão de água, urbanas suburbanas ou rurais atiram-me um sorriso estúpido para a cara.
e hoje digo a Adília, à minha e à outra, que os homens portugueses são inseguros e feios e baixos mas há portugueses e portugueses e a mim saiu-me um dos outros
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