quarta-feira, fevereiro 26
“todo o amor do mundo não foi suficiente porque o amor não serve de nada. ficaram só
os papéis e a tristeza, ficou só a amargura e a cinza dos cigarros e da morte.
os domingos e as noites que passámos a fazer planos não foram suficientes e foram
demasiados porque hoje são como sangue no teu rosto, são como lágrimas.
sei que nos amámos muito e um dia, quando já não te encontrar em cada instante, em cada hora,
não irei negar isso. não irei negar nunca que te amei. nem mesmo quando estiver deitado,
nu, sobre os lençóis de outra e ela me obrigar a dizer que a amo antes de a foder.”
— José Luis Peixoto, “A criança em ruínas”
já o disse.
now leave me the fuck alone!
já não te amo.
é mesmo assim. hoje não te amo.
hoje não quero saber se estás triste ou se estás contente. se estás onde querias estar ou se estás a remoer na tua cabeça a decisão estúpida que tomaste. que tu tomaste. sozinho. que quiseste tomar sozinho. foi provavelmente a primeira decisão que tomaste sozinho em muito tempo e só te posso dizer uma coisa - foi uma grande asneira. da grossa mesmo.
talvez nunca consigas chegar lá, talvez nunca ninguém te ajude a chegar lá, talvez nunca ninguém te diga com as letras todas, ou talvez seja só a minha verdade e, como já te disse, verdades, cada um tem a sua!, mas eu fui uma namorada do caraças! do caraças! e sou uma mulher do caraças!
inteligente, culta, pequena, cheia de genica, sempre pronta para fazer coisas, independente, nada lamechas, nada daquelas míudas que projectam coisas que vêem nos filmes, capaz de mudar de vida o número de vezes que for preciso, que luta pelo que quer e que no final do dia ainda sabe cozinhar, ainda cozinha e estende a roupa e não reclama de que é uma coitadinha. que faz isto tudo e que ainda tem energia para te fazer um mimo se o quiseres e de te deixar em paz no escritório à frente do computador se te apetecer.
do caraças!
que pinta paredes e desenha móveis e que deixou uma carreira segura por uma vida de empresária, sem sócios, que durante meses dormiu 3 horas por dia, com um olho aberto e outro fechado e que ainda assim não reclamou. e acima de tudo, que consegue a felicidade com um desenho, com uma flor, com um abraço.
foste burro. não viste o tinhas e decidiste largar tudo.
não aguentaste. porque só os homens querem mulheres fortes ao lado deles. e tu sempre foste um puto. quiseste continuar a ser um puto. tomaste a minha força por insensibilidade. tomaste a minha energia por não querer saber. tomaste a minha capacidade de decisão, de saber o que quero, de lutar pelo quero por intransigência. olha que não! nunca! lutei por nós com unhas e dentes, dei-te tudo o que pediste e mais, dei-te a liberdade, dei-te o espaço, dei-te os copos e os amigos, dei-te a minha positividade, dei-te parte da minha energia, dei-te elogios e motivação, dei-nos noites de sonho e dias fantásticos. mas não fui a tua mãe. não te obriguei a nada, nem a acompanhar-me quando mais precisava, não te obriguei a tratar de mim, não te forcei a coisas que não querias. e tu foste egoísta. porque eu andei com a minha vida para a frente, mesmo quando o tinha de fazer sozinha, tu fechaste-te no teu umbigo, achando que podias dar cada dia menos. não penses que eu não notei. notei, sofri, pedi-te para não o fazeres, mas não me humilhei, não exigi, não fiz birras. aceitei-te como eras, puto, com as coisas maravilhosas que os putos têm. Aceitei-te exactamente como eras. Todo. Aceitei que dormisses até tarde, que não me levasses a passear, que reclamasses da vida como se a tua vida te devesse alguma coisa. Aceitei porque abraçavas como ninguém. E porque esses abraços valiam muito mais do que todas as outras coisas do mundo juntas. Porque esses abraços valiam muito mais do que todas as tuas falhas. porque a forma como a minha cabeça encaixava no teu ombro valia milhões.
e tu fodeste tudo.
um dia, do nada, saíste porta fora e não olhaste para trás. não quiseste discutir comigo coisa nenhuma. foste procurar o que achavas que eu não te dava, sem sequer saberes o que isso era. foste egoísta. o teu umbigo. o teu grande umbigo.
e de cada vez que voltas a casa, para pegar nas tuas coisas, para discutir quem fica com candeeiro ou quem leva o microondas, tu e o teu grande umbigo, voltam a tocar-me nas feridas que eu com tanto esforço tento curar. voltam a fazer o olhar triste de quem tem dúvidas, voltam a pedir o abraço, ou a oferecer o abraço que para mim vale este mundo todo e voltam, tu e o teu umbigo, a pôr-me em suspenso, a pôr-me à espera que talvez acordes e digas - que burro! desculpa-me! vou tratar-me deste egoísmo profundo! vou voltar a ter tanto mais para te dar do que este abraço pesaroso e repetido de adeus.
não quero ser tua amiga. já te disse. faz-me mal. e 12 anos de vida em conjunto não se esquecem. e tu saíres porta fora sem discutir comigo não se esquece. e eu não quero voltar para a relação que eu adorava, que eu amava profundamente, que eu achava que era a melhor coisa do mundo, porque já não acho, porque já não acredito nela. porque já não acredito em ti. terás sempre os melhores abraços do mundo, mas estou segura que conseguirei a ensinar outros a abraçar-me assim.
não quero ser tua amiga mas se quisesse dizia-te para acordares. para cresceres. para descobrires o que perdeste e porque o perdeste. diria-te (já te disse mas não quiseste ouvir) para ir pedires ajuda profissional, ou para abrires o teu coração a alguém sensato e não a putos ou a pessoas com o mesmo egoísmo que tu.
não voltes a dizer que me adoras. não voltes a dizer que eu sou a maior. não voltes a olhar para mim com lágrimas nos olhos nem voltes a pedir um abraço. não termines as mensagens com beijos. não queiras por egoísmo que eu ainda goste de ti. sê altruísta e deixa-me seguir a minha vida. aceita a tua própria decisão de me deixares e deixa-me. deixa-me de vez. e deixa-me odiar-te. aceita que esta foi a tua escolha.
amar-te-hei enquanto me lembrar dos teus abraços mas hoje não. hoje não te amo.
é mesmo assim. hoje não te amo.
hoje não quero saber se estás triste ou se estás contente. se estás onde querias estar ou se estás a remoer na tua cabeça a decisão estúpida que tomaste. que tu tomaste. sozinho. que quiseste tomar sozinho. foi provavelmente a primeira decisão que tomaste sozinho em muito tempo e só te posso dizer uma coisa - foi uma grande asneira. da grossa mesmo.
talvez nunca consigas chegar lá, talvez nunca ninguém te ajude a chegar lá, talvez nunca ninguém te diga com as letras todas, ou talvez seja só a minha verdade e, como já te disse, verdades, cada um tem a sua!, mas eu fui uma namorada do caraças! do caraças! e sou uma mulher do caraças!
inteligente, culta, pequena, cheia de genica, sempre pronta para fazer coisas, independente, nada lamechas, nada daquelas míudas que projectam coisas que vêem nos filmes, capaz de mudar de vida o número de vezes que for preciso, que luta pelo que quer e que no final do dia ainda sabe cozinhar, ainda cozinha e estende a roupa e não reclama de que é uma coitadinha. que faz isto tudo e que ainda tem energia para te fazer um mimo se o quiseres e de te deixar em paz no escritório à frente do computador se te apetecer.
do caraças!
que pinta paredes e desenha móveis e que deixou uma carreira segura por uma vida de empresária, sem sócios, que durante meses dormiu 3 horas por dia, com um olho aberto e outro fechado e que ainda assim não reclamou. e acima de tudo, que consegue a felicidade com um desenho, com uma flor, com um abraço.
foste burro. não viste o tinhas e decidiste largar tudo.
não aguentaste. porque só os homens querem mulheres fortes ao lado deles. e tu sempre foste um puto. quiseste continuar a ser um puto. tomaste a minha força por insensibilidade. tomaste a minha energia por não querer saber. tomaste a minha capacidade de decisão, de saber o que quero, de lutar pelo quero por intransigência. olha que não! nunca! lutei por nós com unhas e dentes, dei-te tudo o que pediste e mais, dei-te a liberdade, dei-te o espaço, dei-te os copos e os amigos, dei-te a minha positividade, dei-te parte da minha energia, dei-te elogios e motivação, dei-nos noites de sonho e dias fantásticos. mas não fui a tua mãe. não te obriguei a nada, nem a acompanhar-me quando mais precisava, não te obriguei a tratar de mim, não te forcei a coisas que não querias. e tu foste egoísta. porque eu andei com a minha vida para a frente, mesmo quando o tinha de fazer sozinha, tu fechaste-te no teu umbigo, achando que podias dar cada dia menos. não penses que eu não notei. notei, sofri, pedi-te para não o fazeres, mas não me humilhei, não exigi, não fiz birras. aceitei-te como eras, puto, com as coisas maravilhosas que os putos têm. Aceitei-te exactamente como eras. Todo. Aceitei que dormisses até tarde, que não me levasses a passear, que reclamasses da vida como se a tua vida te devesse alguma coisa. Aceitei porque abraçavas como ninguém. E porque esses abraços valiam muito mais do que todas as outras coisas do mundo juntas. Porque esses abraços valiam muito mais do que todas as tuas falhas. porque a forma como a minha cabeça encaixava no teu ombro valia milhões.
e tu fodeste tudo.
um dia, do nada, saíste porta fora e não olhaste para trás. não quiseste discutir comigo coisa nenhuma. foste procurar o que achavas que eu não te dava, sem sequer saberes o que isso era. foste egoísta. o teu umbigo. o teu grande umbigo.
e de cada vez que voltas a casa, para pegar nas tuas coisas, para discutir quem fica com candeeiro ou quem leva o microondas, tu e o teu grande umbigo, voltam a tocar-me nas feridas que eu com tanto esforço tento curar. voltam a fazer o olhar triste de quem tem dúvidas, voltam a pedir o abraço, ou a oferecer o abraço que para mim vale este mundo todo e voltam, tu e o teu umbigo, a pôr-me em suspenso, a pôr-me à espera que talvez acordes e digas - que burro! desculpa-me! vou tratar-me deste egoísmo profundo! vou voltar a ter tanto mais para te dar do que este abraço pesaroso e repetido de adeus.
não quero ser tua amiga. já te disse. faz-me mal. e 12 anos de vida em conjunto não se esquecem. e tu saíres porta fora sem discutir comigo não se esquece. e eu não quero voltar para a relação que eu adorava, que eu amava profundamente, que eu achava que era a melhor coisa do mundo, porque já não acho, porque já não acredito nela. porque já não acredito em ti. terás sempre os melhores abraços do mundo, mas estou segura que conseguirei a ensinar outros a abraçar-me assim.
não quero ser tua amiga mas se quisesse dizia-te para acordares. para cresceres. para descobrires o que perdeste e porque o perdeste. diria-te (já te disse mas não quiseste ouvir) para ir pedires ajuda profissional, ou para abrires o teu coração a alguém sensato e não a putos ou a pessoas com o mesmo egoísmo que tu.
não voltes a dizer que me adoras. não voltes a dizer que eu sou a maior. não voltes a olhar para mim com lágrimas nos olhos nem voltes a pedir um abraço. não termines as mensagens com beijos. não queiras por egoísmo que eu ainda goste de ti. sê altruísta e deixa-me seguir a minha vida. aceita a tua própria decisão de me deixares e deixa-me. deixa-me de vez. e deixa-me odiar-te. aceita que esta foi a tua escolha.
amar-te-hei enquanto me lembrar dos teus abraços mas hoje não. hoje não te amo.
terça-feira, fevereiro 25
escrevo-te aqui cartas de amor e ódio porque sei que não vens até esta casa.
escrevo-te aqui para não te manter o fio de aço que ainda nos liga e porque te escrevendo aqui, não espero resposta.
iktsuarpok (inuit) - sentimento de antecipação que leva a que fiquemos a olhar pela janela à espera que alguém chegue.
eu sofro de iktsuarpok por ti.
não por ti como és, como estás, mas pelo sonho que eu ainda tenho de ti. porque ainda sonho que vais descobrir que a vida é mais do que o hoje, e que vais descobrir que querer desenhar um futuro é uma coisa maravilhosa, que partilhar pequenos momentos, bons e maus, é muito mais do que beber a vida de um só trago.
quando me deixaste, e desde então deixas-me de cada vez que vens à nossa casa acertar agulhas, de cada vez que me pedes um abraço, de cada vez que choras no meu ombro, de cada vez que acaricias os meus cabelos, de cada vez que me beijas e que sussurras baixinho que não queres mais ninguém, quando me deixaste disse-te - vai e espero que te encontres e que quando te encontrares, descubras que ainda podemos ser felizes.
não vou ficar à tua espera. não posso ficar à tua espera nem quero ficar à tua espera.
pintarei todas as paredes da nossa casa, farei massa todos os dias, mas terei sempre a esperança que me alcances antes de o nosso amor acabar.
sexta-feira, fevereiro 21
Mea culpa ou o pior cego é o que não quer ver
Já o disse, quando acreditamos em alguma coisa, do fundo do coração, ela torna-se a nossa verdade. E eu quis uma verdade que não existia. Quis, durante muito tempo, acreditar que eramos uma família, quis acreditar que não eramos uma família normal, que eramos uma família com muita liberdade, muito espaço, em que ninguém pressionava ninguém, em que aceitavamos os defeitos um do outro, que nos adaptavamos a esta realidade tão diferente e que era isto que nos tornava únicos. Mas agora, que foste embora, vejo outra realidade, vi a tua total liberdade, vivias comigo e amavas-me muito, mas apenas nas coisas boas, nos dias bons, quando eu estava cheia de energia, quando eu arrastava o mundo atrás de mim, nos dias de passeio e nos dias de museus, nos dias de sol e pequeno-almoço na varanda e nos dias de lareira acesa e bom filme. Nos outros dias não me amavas. Toleravas porque havia a esperança que o dia seguinte fosse brilhante. E eu achava que tu me amavas todos os dias. Escondia de mim os teus egoismos, as tuas fugas às pequenas responsabilidades da vida a dois, ou até da vida adulta, a recusa em trocar uma lâmpada, as desculpas para não almoçarmos com a minha família. ó cega!
foram 12 anos e foram 12 anos de enjoy it while it last e eu não vi.
fuck
foram 12 anos e foram 12 anos de enjoy it while it last e eu não vi.
fuck
quinta-feira, fevereiro 20
Luto
é sempre mais fácil sair. começar de novo, respirar ar fresco, ser confrontado com uma nova vida, é preciso arranjar casa e mobilar e criar novas rotinas - ocupar a cabeça com todos os novos desafios.
ficar é sempre pior. a mesma casa, os nossos móveis, as conversas que ali tivemos, os momentos que ali vivemos, a tua cara em todas as esquinas, nos espelhos, as tuas coisas no mesmo sítio. o luto que não se pode evitar a toda a hora. o luto que tem de ser feito porque não há avançar sem luto mas que eu gostaria de arrumar para canto um bocadinho, como tu fazes, esquecer a nossa dor, a minha dor, o teu sorriso escrito em todos os cantos, esquecer os abraços que ainda vivem no nosso sofá, não ver a tua cabeça a pedir cafoné no meu colo, poder esquecer-te, poder esquecer estes 12 anos. Nem que fosse por um instante poder dormir numa cama onde nunca fui feliz contigo.
ó pedaço de mim, ó metade arrancada de mim, leva o vulto teu que a saudade é arrumar o quarto do filho que já morreu e por isso eu pinto paredes, desarrumo tudo, respiro fundo e fumo cigarros, faço planos, desenho, escrevo mas o luto cola-se-me às costas, vive-me no colo. e dói-me que não te encontre - dói-me que possas não fazer luto, invejo-te e odeio-te por não o fazeres.
leva o que há de ti que a saudade dói latejada, é assim como uma fisgada num membro que já perdi
ó pedaço de mim, ó metade adorada de mim, lava os olhos meus que a saudade é pior castigo e eu não quero levar comigo a mortalha do amor,
adeus
ficar é sempre pior. a mesma casa, os nossos móveis, as conversas que ali tivemos, os momentos que ali vivemos, a tua cara em todas as esquinas, nos espelhos, as tuas coisas no mesmo sítio. o luto que não se pode evitar a toda a hora. o luto que tem de ser feito porque não há avançar sem luto mas que eu gostaria de arrumar para canto um bocadinho, como tu fazes, esquecer a nossa dor, a minha dor, o teu sorriso escrito em todos os cantos, esquecer os abraços que ainda vivem no nosso sofá, não ver a tua cabeça a pedir cafoné no meu colo, poder esquecer-te, poder esquecer estes 12 anos. Nem que fosse por um instante poder dormir numa cama onde nunca fui feliz contigo.
ó pedaço de mim, ó metade arrancada de mim, leva o vulto teu que a saudade é arrumar o quarto do filho que já morreu e por isso eu pinto paredes, desarrumo tudo, respiro fundo e fumo cigarros, faço planos, desenho, escrevo mas o luto cola-se-me às costas, vive-me no colo. e dói-me que não te encontre - dói-me que possas não fazer luto, invejo-te e odeio-te por não o fazeres.
leva o que há de ti que a saudade dói latejada, é assim como uma fisgada num membro que já perdi
ó pedaço de mim, ó metade adorada de mim, lava os olhos meus que a saudade é pior castigo e eu não quero levar comigo a mortalha do amor,
adeus
Tenho para mim que se acreditamos numa coisa, em qualquer coisa, com muita força, ela acaba por tornar-se realidade. Para o bem e para o mal.
Se acreditarmos que somos infelizes, miseráveis, que a vida nos é ingrata, esta tornar-se-à a nossa verdade. E que se ignorarmos as pequenas bofetadas que a vida nos dá, e nos centrarmos nas coisas boas, nas flores, na chuva contra a janela, nos vidros embaciados, no café bom acabado de fazer, vamos ver amor em todo o lado.
Nós os 2 quisemos acreditar em coisas diferentes. Tu sentaste-te à frente do computador, sonhaste com o Ian Curtis e com imagens de Hepburns com ar melancólico e eu fui atrás das flores. Tu quiseste acreditar que as flores não dão felicidade.
Se acreditarmos que somos infelizes, miseráveis, que a vida nos é ingrata, esta tornar-se-à a nossa verdade. E que se ignorarmos as pequenas bofetadas que a vida nos dá, e nos centrarmos nas coisas boas, nas flores, na chuva contra a janela, nos vidros embaciados, no café bom acabado de fazer, vamos ver amor em todo o lado.
Nós os 2 quisemos acreditar em coisas diferentes. Tu sentaste-te à frente do computador, sonhaste com o Ian Curtis e com imagens de Hepburns com ar melancólico e eu fui atrás das flores. Tu quiseste acreditar que as flores não dão felicidade.
sexta-feira, fevereiro 14
Happy valentine's day to me
Nunca celebrei o dia dos namorados. Hoje foi o meu primeiro dia dos namorados sem namorado, depois de o meu amor de 12 anos me ter deixado, quase sem justificação, há 2 semanas. E nestes 12 anos nunca celebrei o dia dos namorados. Coisa lamecha, comercial, cliché, flores e chocolates. Amor que devia vir todos os dias do ano, flores que deviam chegar quando nos apetecesse. Nunca o festejei nem nunca o quis festejar. Mas hoje, que não te tenho, se pudesse ter passado o dia dos namorados contigo, teria feito exactamente o que fiz hoje. Teria acordado de manhã, pintado uma parede de amarelo para dar mais luz aos nossos dias, teria tomado o pequeno-almoço na sala e o café na cozinha. Teria ido ao vegetariano almoçar e falado do mundo, da cidade, dos amigos, teria falado de nós e de planos para o futuro. Depois teria voltado para casa, enroscado contigo no sofá e teria chorado violentamente ao ver o "Her", do principio ao fim, no teu ombro. Depois. em silêncio, teria feito qualquer coisa leve para jantar (fiz massa, eu sei que não gostas, teria feito arroz) - lembraste quando fomos ao cinema ver o Lost In Translation? que saímos do cinema em silêncio, de mãos dadas e que só falamos uma boa meia hora depois? - seria assim, em silêncio iriamos para a cozinha fazer o arroz e depois voltavamos para o ninho do nosso sofá e viamos "Short Term 12". Depois iriamos para a cama e seriamos um só até amanhã de manhã. Isto era o que eu queria ter feito, se tu ainda estivesses comigo neste dia dos namorados.
Mas se ainda estivesses aqui comigo, neste dia dos namorados ou em qualquer outro dia do ano, não seria isto que fariamos. Não seria porque eu não o iria propôr porque bem sei que não gostas da ideia de sofá e filmes de gaja, mesmo quando sei, ao mesmo tempo, que ías adorar ambos os filmes e de vê-los enroscado comigo no nosso sofá. E se tivessemos juntos, neste dia dos namorados, fariamos o que faziamos todas os dias - não pintariamos paredes porque isso desarruma tudo, não tomariamos pequeno-almoço na sala porque não é preciso, tomariamos o café em pé, almoçariamos a correr no tasco da esquina e à noite iriamos beber copos com os amigos, pelo menos com aqueles cujas namoradas não os tivessem raptado para o cliché e amanhã acordariamos talvez de ressaca, igual a todos os sábados.
Mesmo assim, gostava que estivesses aqui.
Mas se ainda estivesses aqui comigo, neste dia dos namorados ou em qualquer outro dia do ano, não seria isto que fariamos. Não seria porque eu não o iria propôr porque bem sei que não gostas da ideia de sofá e filmes de gaja, mesmo quando sei, ao mesmo tempo, que ías adorar ambos os filmes e de vê-los enroscado comigo no nosso sofá. E se tivessemos juntos, neste dia dos namorados, fariamos o que faziamos todas os dias - não pintariamos paredes porque isso desarruma tudo, não tomariamos pequeno-almoço na sala porque não é preciso, tomariamos o café em pé, almoçariamos a correr no tasco da esquina e à noite iriamos beber copos com os amigos, pelo menos com aqueles cujas namoradas não os tivessem raptado para o cliché e amanhã acordariamos talvez de ressaca, igual a todos os sábados.
Mesmo assim, gostava que estivesses aqui.
terça-feira, fevereiro 11
já não há parede verde. nem parede azul petróleo. já não há a Adília. já não há sábados. já não há planos para o futuro, não há sequer certezas do passado.
agora há latas de tinta espalhadas pelo chão, há buracos na parede, há chuva e vento lá fora, há cartas de amor, cartas de raiva, bilhetes de ódio que nunca serão entregues. e há o meu coração em cacos debaixo da cama que ainda há pouco era o nossoninho.
há cigarros atrás de cigarros e a espera que as tuas coisas desapareçam sem termos de marcar horas para eu fugir de casa.
há verdades que preferia não ter porque há dúvidas mais confortáveis.
and the cat? is it mine or yours?
and the cat? is it mine or yours?
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