Nunca celebrei o dia dos namorados. Hoje foi o meu primeiro dia dos namorados sem namorado, depois de o meu amor de 12 anos me ter deixado, quase sem justificação, há 2 semanas. E nestes 12 anos nunca celebrei o dia dos namorados. Coisa lamecha, comercial, cliché, flores e chocolates. Amor que devia vir todos os dias do ano, flores que deviam chegar quando nos apetecesse. Nunca o festejei nem nunca o quis festejar. Mas hoje, que não te tenho, se pudesse ter passado o dia dos namorados contigo, teria feito exactamente o que fiz hoje. Teria acordado de manhã, pintado uma parede de amarelo para dar mais luz aos nossos dias, teria tomado o pequeno-almoço na sala e o café na cozinha. Teria ido ao vegetariano almoçar e falado do mundo, da cidade, dos amigos, teria falado de nós e de planos para o futuro. Depois teria voltado para casa, enroscado contigo no sofá e teria chorado violentamente ao ver o "Her", do principio ao fim, no teu ombro. Depois. em silêncio, teria feito qualquer coisa leve para jantar (fiz massa, eu sei que não gostas, teria feito arroz) - lembraste quando fomos ao cinema ver o Lost In Translation? que saímos do cinema em silêncio, de mãos dadas e que só falamos uma boa meia hora depois? - seria assim, em silêncio iriamos para a cozinha fazer o arroz e depois voltavamos para o ninho do nosso sofá e viamos "Short Term 12". Depois iriamos para a cama e seriamos um só até amanhã de manhã. Isto era o que eu queria ter feito, se tu ainda estivesses comigo neste dia dos namorados.
Mas se ainda estivesses aqui comigo, neste dia dos namorados ou em qualquer outro dia do ano, não seria isto que fariamos. Não seria porque eu não o iria propôr porque bem sei que não gostas da ideia de sofá e filmes de gaja, mesmo quando sei, ao mesmo tempo, que ías adorar ambos os filmes e de vê-los enroscado comigo no nosso sofá. E se tivessemos juntos, neste dia dos namorados, fariamos o que faziamos todas os dias - não pintariamos paredes porque isso desarruma tudo, não tomariamos pequeno-almoço na sala porque não é preciso, tomariamos o café em pé, almoçariamos a correr no tasco da esquina e à noite iriamos beber copos com os amigos, pelo menos com aqueles cujas namoradas não os tivessem raptado para o cliché e amanhã acordariamos talvez de ressaca, igual a todos os sábados.
Mesmo assim, gostava que estivesses aqui.

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