Já o disse, quando acreditamos em alguma coisa, do fundo do coração, ela torna-se a nossa verdade. E eu quis uma verdade que não existia. Quis, durante muito tempo, acreditar que eramos uma família, quis acreditar que não eramos uma família normal, que eramos uma família com muita liberdade, muito espaço, em que ninguém pressionava ninguém, em que aceitavamos os defeitos um do outro, que nos adaptavamos a esta realidade tão diferente e que era isto que nos tornava únicos. Mas agora, que foste embora, vejo outra realidade, vi a tua total liberdade, vivias comigo e amavas-me muito, mas apenas nas coisas boas, nos dias bons, quando eu estava cheia de energia, quando eu arrastava o mundo atrás de mim, nos dias de passeio e nos dias de museus, nos dias de sol e pequeno-almoço na varanda e nos dias de lareira acesa e bom filme. Nos outros dias não me amavas. Toleravas porque havia a esperança que o dia seguinte fosse brilhante. E eu achava que tu me amavas todos os dias. Escondia de mim os teus egoismos, as tuas fugas às pequenas responsabilidades da vida a dois, ou até da vida adulta, a recusa em trocar uma lâmpada, as desculpas para não almoçarmos com a minha família. ó cega!
foram 12 anos e foram 12 anos de enjoy it while it last e eu não vi.
fuck
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