São coisas que acontecem, quem é que nunca partiu um copo num restaurante? Eu própria, pessoa que se tem contra a violência de partir coisas, já tenho na minha conta pela menos 6. E agora, como sempre - ai este cérebro e a memória do meu avô, me lembro de ter 12 anos, a minha prima tinha 11, e irmos jantar à Pousada de Portugal de Santa Luzia. Convidados, família inteira, pelo director da pousada - coisa solene. Convite oficial anunciado à mesa de jantar - miúdas, é para nos portarmos bem! (convém explicar que tendo eu crescido numa boa família, a hora da refeição foi sempre uma bela confusão). Aposto que fomos todas de vestido e cabelos penteados, sapatos e não as sapatilhas gastas do costume mas como diria a outra "you can dress him up but you can take him out" e é claro que em plena pousada de 5 estrelas, cheia de casais velhinhos britânicos e americanos, solenidade e silêncio ensurdecedor, a minha prima conseguiu dar um toque no carrinho das bebidas e fazer tilintar pelo menos 10 garrafas, todas a ameaçar fazer da sala de jantar um caos de vidros e álcool espalhados pelos tapetes. Com uma ginástica saída do fundo da conversa do almoço - miúdas, é para nos portarmos bem - agarrou todas, 20 mãos saíram dos bracitos pequenos e orgulhosa olhou para os meus pais - viram tios? não parti nada - para chegar à mesa, triunfante, e partir o copo só com o toque da manga da camisa.
Não mal nenhum partir copos. Se não fossem para partir, ninguém os faria de vidro. Ninguém teria posto álcool dentro do vinho e o vinho dentro dos copos sempre a sair. Os copos de vinho são feitos para ser partidos, por acidente, ao toque de cotovelo em conversa entusiasmada. E que toda a gente olhe, não tem mal nenhum. Já toda a gente partiu um copo no restaurante e se se riem, ou se comentam, é porque não se lembram e gente sem memória não merece grande atenção. Se se lembram, que sorriam, que se lembrem que também eles já foram felizes e partiram copos até sem lhes tocar.
É claro que isto de só os copos bons de partirem, sempre os mais bonitos, me irrita um pouco. Preferia, por exemplo, e agora voltando para casa, que por lá se partissem aqueles com publicidade que escondo ao lado do exaustor e não os poucos copos de pé, com ar mais ou menos fino, para oferecer bom vinho aos amigos. Mas no que toca a coisas que partem, são sempre os mais bonitos que o fazem. É como as pessoas. São as pessoas mais bonitas, mais delicadas que se partem. Nunca são os tontos, os que tropeçam toda a vida, esses batem em todas as esquinas e nem uma mossa, mas deve ser também da própria natureza das pessoas. Porque como os copos, há as pessoas de plástico e o plástico tem essa resiliência de fazer frente aos ângulos e à dureza do chão.
Não mal nenhum partir copos. Se não fossem para partir, ninguém os faria de vidro. Ninguém teria posto álcool dentro do vinho e o vinho dentro dos copos sempre a sair. Os copos de vinho são feitos para ser partidos, por acidente, ao toque de cotovelo em conversa entusiasmada. E que toda a gente olhe, não tem mal nenhum. Já toda a gente partiu um copo no restaurante e se se riem, ou se comentam, é porque não se lembram e gente sem memória não merece grande atenção. Se se lembram, que sorriam, que se lembrem que também eles já foram felizes e partiram copos até sem lhes tocar.
É claro que isto de só os copos bons de partirem, sempre os mais bonitos, me irrita um pouco. Preferia, por exemplo, e agora voltando para casa, que por lá se partissem aqueles com publicidade que escondo ao lado do exaustor e não os poucos copos de pé, com ar mais ou menos fino, para oferecer bom vinho aos amigos. Mas no que toca a coisas que partem, são sempre os mais bonitos que o fazem. É como as pessoas. São as pessoas mais bonitas, mais delicadas que se partem. Nunca são os tontos, os que tropeçam toda a vida, esses batem em todas as esquinas e nem uma mossa, mas deve ser também da própria natureza das pessoas. Porque como os copos, há as pessoas de plástico e o plástico tem essa resiliência de fazer frente aos ângulos e à dureza do chão.