sábado, março 22
quarta-feira, março 19
não tenho saudades tuas porque já nem sei quem tu és.
tenho saudades nossas. tenho saudades daquela entidade que era só uma que vivia no nossoninho, com dedos entrelaçados, em que os ombros e as orelhas se fundiam e que o gato tentava encontrar o meio. tenho saudades daquela criatura que desfazia o sofá e resmungava e o arranjava, punha almofadas a fazer de betume e os meus dedos se perdiam nos teus cabelos. tenho saudade de ter vontade de me levantar para ir comprar croissants que queria que fosses tu a comprar e servi-los na varanda nestes dias de sol, arrancar-te da cama. e saudades de chegar a casa ao sábado e meter-me na cama onde ainda dormias, só para te fazer umas cocegas que nem sentias porque dormias o sono dos bêbedos. tenho saudades dos teus olhos e das tuas mãos no meu rabo que não era meu rabo era teu.
tenho saudades de quando o meu corpo não era meu e o teu corpo não era teu
tenho saudades nossas. tenho saudades daquela entidade que era só uma que vivia no nossoninho, com dedos entrelaçados, em que os ombros e as orelhas se fundiam e que o gato tentava encontrar o meio. tenho saudades daquela criatura que desfazia o sofá e resmungava e o arranjava, punha almofadas a fazer de betume e os meus dedos se perdiam nos teus cabelos. tenho saudade de ter vontade de me levantar para ir comprar croissants que queria que fosses tu a comprar e servi-los na varanda nestes dias de sol, arrancar-te da cama. e saudades de chegar a casa ao sábado e meter-me na cama onde ainda dormias, só para te fazer umas cocegas que nem sentias porque dormias o sono dos bêbedos. tenho saudades dos teus olhos e das tuas mãos no meu rabo que não era meu rabo era teu.
tenho saudades de quando o meu corpo não era meu e o teu corpo não era teu
quarta-feira, março 12
Já não há dias bons e dias maus. há dias. uns atrás dos outros. há minutos de esquecimento, seguidos de felicidades e horas de angústia. há uma saudade tremenda. como se passa de falarmos todos os dias durante 12 anos, 4380 dias seguidos a falarmos, a vivermos as felicidades e as tristezas juntos, para este vazio, este silêncio?
será que ainda existes? já não me lembro do teu riso nem de como desenhavas nas minhas costas, eu, que me lembro de tudo.
hoje nem me lembro de como me partiste o coração. não me lembro das coisas más e esqueço cada vez mais rápido as coisas boas. 12 anos de vazio dentro de mim. um buraco negro dentro de mim.
será que ainda existes? já não me lembro do teu riso nem de como desenhavas nas minhas costas, eu, que me lembro de tudo.
hoje nem me lembro de como me partiste o coração. não me lembro das coisas más e esqueço cada vez mais rápido as coisas boas. 12 anos de vazio dentro de mim. um buraco negro dentro de mim.
terça-feira, março 11
segunda-feira, março 10
quinta-feira, março 6
Closer, 2004.
Lembro-me de ver este filme e pensar - és tu! és igual! queres tudo! queres-me e a todo o mundo e todas coisas ao mesmo tempo. 2004. Lembro-me de to dizer. Lembro-me de te rires. Lembro-me de tudo, como sempre. Tenho a memória de elefante do meu avô. Lembro-me com mais força das coisas boas, mas todas as más vivem dentro de mim, guardadas, sem rancor, são só memórias. Mas lembro-me de me dizeres que me amavas, que eras feliz e que não eras o Jude Law. Que não ías desistir, que não tinhas medo do amor.
Eu ter-te-ia amado para sempre. Juro.
segunda-feira, março 3
A tristeza é tão grande.
E já não é por teres saído, não é por teres desalinhado a minha vida, não é por já não discutirmos o nome dos nossos filhos e quantas horas de televisão vão poder ver, já não é por não ter os teus abraços, ou por não poder mais enrolar os meus dedos nos teus caracóis.
Não é por teres decidido sozinho que já não temos um futuro juntos. Não é por teres desistido de nós, como na verdade desistes de tudo o que dá um pouco de trabalho, como desististe de cursos e projectos e planos e amigos e sonhos.
É só por teres achado que a nossa relação podia acabar assim - chegares um dia a casa e dizeres vou embora. Como quem não deve nada a ninguém. É este egoísmo profundo - my life is my life - é um dia eu ser a maior e tu adorares-me, e amares-me e chamares à nossa cama, no frio do inverno, enroscado em mim, o nossoninho enquanto faziamos planos para o futuro, enquanto desenhavamos sonhos nas costas um do outro, enquanto faziamos amor e dormias com o teu nariz colado ao meu pescoço, é termos durante 12 anos desenhado toda a nossa vida e tu achares, que podes, que tens o direito, porque a tua vida é a tua vida, de dizer acabou, vou embora, já não é isto que quero. Estive a brincar contigo às casinhas durante 12 anos e agora quero ir para a rua brincar aos cowboys.
És um egoísta. Mentiste o mais que pudeste, aguentaste em silêncio dúvidas enquanto me vendias falsos sonhos de família. És um falso e és um rato. Não és um homem. Puseste a cauda entre as pernas e fugiste como se isso fosse um direito. Não é. Não era um direito teu. Não tinhas o direito de me fazeres acreditar que eramos uma família, que estavamos bem, que eramos felizes, que íamos ter filhos e visitar os Açores para ver as baleias e no dia seguinte, depois de 12 anos de fazer planos, de crescermos juntos, de desenharmos um futuro todos os dias, dizeres que vou embora, que levo as minhas coisas e que podemos ficar amigos.
És um rato!
Tentei, durante este terrível mês de Fevereiro, entender o teu ponto de vista, entender que és infantil, que tens sindrome de Peter Pan, desculpar-te com uma crise da meia-idade antecipada, inventar razões para já não quereres a vida que desenhamos os 2 juntos durante tanto tempo, perceber que se calhar não te imaginas com filhos, inventar-te uma angustia tremenda, uma depressão crónica que te paraliza todos os dias, que te impede de avançar com a tua vida, imaginar-te numa crise de ansiedade tremenda, com gritos por dentro a atormentar-te violentamente, mas nada disto é verdade.
És um egoísta. Nunca me amaste. Nunca. Porque tu não sabes amar. Conheces a paixão e amas a paixão, mas não sabes o que é o amor. Não sabes que amar é dar, é cuidar. Amor egoísta não é amor. Enganaste-me e mentiste-me anos a fio. Se calhar também mentiste a ti próprio. Se calhar também disseste ao teu coração que me amavas, mas isso não me interessa para nada. O que interessa é que não me deixaste no altar no dia do casamento, mas deixaste-me à porta da obstetra onde íamos planear o nosso filho, 24 horas depois de me dizeres que estavas ao meu lado.
Nunca te obriguei a nada. Nunca. Sempre discuti contigo todos os aspectos da nossa vida e só avancei quando te tinha ao meu lado. E tu nunca me disseste que não querias filhos, que não querias continuar esta vida, que querias coisas diferentes das que nós tinhamos. Até ao último minuto mentiste-me, fizeste-me acreditar, com palavras, com mimos, com abraços, com sussurros, com planos e festas, que eramos uma família.
Saíste sem me dizer porquê. Acabaste a nossa relação como quem acaba um namoro de 1 mês aos 15 anos.
És um rato.
E agora ajes como se nada fosse. Como se não me tivesses falhado em nada, como se tivessses sido um namorado exemplar, como se o amor tivesse acabado e fosse a hora de seguir em frente. Como se não me devesses nenhuma explicação. Como se eu não tivesse o direito de saber o que se passou na tua cabeça, como se eu não tivesse o direito de dizer-te isto na cara, como se eu não tivesse o direito de reclamar as tuas promessas. Vais beber copos, crias novos projectos, deixas-me a casa para eu pagar e os planos a dois espalhados pela casa, impressos nas paredes e levas tudo o que é teu como se o nós nunca tivesse existido.
És um rato!
E já não é por teres saído, não é por teres desalinhado a minha vida, não é por já não discutirmos o nome dos nossos filhos e quantas horas de televisão vão poder ver, já não é por não ter os teus abraços, ou por não poder mais enrolar os meus dedos nos teus caracóis.
Não é por teres decidido sozinho que já não temos um futuro juntos. Não é por teres desistido de nós, como na verdade desistes de tudo o que dá um pouco de trabalho, como desististe de cursos e projectos e planos e amigos e sonhos.
É só por teres achado que a nossa relação podia acabar assim - chegares um dia a casa e dizeres vou embora. Como quem não deve nada a ninguém. É este egoísmo profundo - my life is my life - é um dia eu ser a maior e tu adorares-me, e amares-me e chamares à nossa cama, no frio do inverno, enroscado em mim, o nossoninho enquanto faziamos planos para o futuro, enquanto desenhavamos sonhos nas costas um do outro, enquanto faziamos amor e dormias com o teu nariz colado ao meu pescoço, é termos durante 12 anos desenhado toda a nossa vida e tu achares, que podes, que tens o direito, porque a tua vida é a tua vida, de dizer acabou, vou embora, já não é isto que quero. Estive a brincar contigo às casinhas durante 12 anos e agora quero ir para a rua brincar aos cowboys.
És um egoísta. Mentiste o mais que pudeste, aguentaste em silêncio dúvidas enquanto me vendias falsos sonhos de família. És um falso e és um rato. Não és um homem. Puseste a cauda entre as pernas e fugiste como se isso fosse um direito. Não é. Não era um direito teu. Não tinhas o direito de me fazeres acreditar que eramos uma família, que estavamos bem, que eramos felizes, que íamos ter filhos e visitar os Açores para ver as baleias e no dia seguinte, depois de 12 anos de fazer planos, de crescermos juntos, de desenharmos um futuro todos os dias, dizeres que vou embora, que levo as minhas coisas e que podemos ficar amigos.
És um rato!
Tentei, durante este terrível mês de Fevereiro, entender o teu ponto de vista, entender que és infantil, que tens sindrome de Peter Pan, desculpar-te com uma crise da meia-idade antecipada, inventar razões para já não quereres a vida que desenhamos os 2 juntos durante tanto tempo, perceber que se calhar não te imaginas com filhos, inventar-te uma angustia tremenda, uma depressão crónica que te paraliza todos os dias, que te impede de avançar com a tua vida, imaginar-te numa crise de ansiedade tremenda, com gritos por dentro a atormentar-te violentamente, mas nada disto é verdade.
És um egoísta. Nunca me amaste. Nunca. Porque tu não sabes amar. Conheces a paixão e amas a paixão, mas não sabes o que é o amor. Não sabes que amar é dar, é cuidar. Amor egoísta não é amor. Enganaste-me e mentiste-me anos a fio. Se calhar também mentiste a ti próprio. Se calhar também disseste ao teu coração que me amavas, mas isso não me interessa para nada. O que interessa é que não me deixaste no altar no dia do casamento, mas deixaste-me à porta da obstetra onde íamos planear o nosso filho, 24 horas depois de me dizeres que estavas ao meu lado.
Nunca te obriguei a nada. Nunca. Sempre discuti contigo todos os aspectos da nossa vida e só avancei quando te tinha ao meu lado. E tu nunca me disseste que não querias filhos, que não querias continuar esta vida, que querias coisas diferentes das que nós tinhamos. Até ao último minuto mentiste-me, fizeste-me acreditar, com palavras, com mimos, com abraços, com sussurros, com planos e festas, que eramos uma família.
Saíste sem me dizer porquê. Acabaste a nossa relação como quem acaba um namoro de 1 mês aos 15 anos.
És um rato.
E agora ajes como se nada fosse. Como se não me tivesses falhado em nada, como se tivessses sido um namorado exemplar, como se o amor tivesse acabado e fosse a hora de seguir em frente. Como se não me devesses nenhuma explicação. Como se eu não tivesse o direito de saber o que se passou na tua cabeça, como se eu não tivesse o direito de dizer-te isto na cara, como se eu não tivesse o direito de reclamar as tuas promessas. Vais beber copos, crias novos projectos, deixas-me a casa para eu pagar e os planos a dois espalhados pela casa, impressos nas paredes e levas tudo o que é teu como se o nós nunca tivesse existido.
És um rato!
sábado, março 1
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