não tenho saudades tuas porque já nem sei quem tu és.
tenho saudades nossas. tenho saudades daquela entidade que era só uma que vivia no nossoninho, com dedos entrelaçados, em que os ombros e as orelhas se fundiam e que o gato tentava encontrar o meio. tenho saudades daquela criatura que desfazia o sofá e resmungava e o arranjava, punha almofadas a fazer de betume e os meus dedos se perdiam nos teus cabelos. tenho saudade de ter vontade de me levantar para ir comprar croissants que queria que fosses tu a comprar e servi-los na varanda nestes dias de sol, arrancar-te da cama. e saudades de chegar a casa ao sábado e meter-me na cama onde ainda dormias, só para te fazer umas cocegas que nem sentias porque dormias o sono dos bêbedos. tenho saudades dos teus olhos e das tuas mãos no meu rabo que não era meu rabo era teu.
tenho saudades de quando o meu corpo não era meu e o teu corpo não era teu
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