tinha uma posta escrita (para ti cara bonita) por terras de espanha (nuestros vecinos y no hermanos, como diz o outro), muito maldizente (tinha a minha cara!) fruto de um fim de semana de trabalho árduo numa terriola com vista para o mediterrâneo que me soube mal porque até é um crime o que eles (e nós) fizeram aquela costa tão apetecível. aquele mar tão verde e calmo (como esta casa nos dias bons) construído à boa moda das favelas brasileiras, os pimentos rellenos de frutos do mar abandonados para hamburguesas ainda para mais ranhosas É CRIME!
mas calo-a (à posta) porque dei no domingo com uma Valência absolutamente maravilhosa (fechada para siesta, mas maravilhosa) de calles e iglesias e gigolos à cata de estranjas e Calatrava à grande e à espanhola e calo-a (à posta) por vergonha que tansos somos nós tugas encafuados nas nossas cidades pouco dadas a rios de relva a atravessar a cidade e cúpulas azuis a brilhar nas vistas das torres de menáge.

o homem do talho do Froiz (que para grande mal é o super com melhor carne, melhores pimentos e melhor fiambre cá do pedaço, tudo made in Spain) que diz, com ar malicioso, que não não me pode tirar a gordura toda, afirma a pés juntos que nós é que somos os maiores (os mÁiores) só que não sabemos e vamos ganhar o campeonato e depois é que vamos ser ainda maiores (MÁIORES) e eu escondo-me por detrás de um sorriso, rumino que convencidos de que somos os maiores estamos nós desde o século XV e eis o resultado, e
quase rezo para que Angola nos faça suar as estopinhas no domingo e que vão todos dançar a Kizomba da vitória para o terreiro do paço, aproveitando a ausência do outro mais a sua calibre 12 na alemanha a discursar para outros que tais. e tenho dito.
(e desdigo-o já num instante, não se preocupem)
e nem o facto de a paella ser melhor cá em casa do que por terras espanholas nos salva do ridículo de sermos os maiores há tanto tempo e ainda marcarmos greves para fins de semana mega-giga prolongados nas quarteiras da nossa linda costa!