Somos todos a favor da cultura, do teatro, do cinema de autor vs Hollywood, das pequenas e alternativas bandas, dos eventos no parque, yoga para todos. E nunca vamos. Advocamos, nós classe média jovem (mais ou menos), que o estado é o garante da educação e cultura e quando ela acontece, sacudimo-la para debaixo do tapete porque bom bom é ficar a ressacar no sofá e a dizer mal da programação da RTP 1.
Poder ser que eu seja sortuda e por isso esteja aqui a falar de boca cheia, mas esta semana, na Segunda, fui ao Theatro Circo ver um filme francês por 3,5€, na Quinta fui com bilhete oferecido ver o 'Som e a Fúria' do Faulkner pelo Teatromosca, amanhã tenho bilhete duplo para o Mário Laginha e não sei como me vou amanhar para dar um salto a Ponte de Lima para ver o Cão Danado no Domingo.
Eu sei que não sou a maioria, sei que faço parte da uma elite sortuda, mas a verdade é que na maioria das vezes tenho bilhetes duplos e vou sozinha a salas vazias onde a cultura de alto nível deste país são oferecidas a públicos que vão por favor, ou para aparecer na revista local.
Sim, o google e o facebook fazem-me o favor de passar a palavra de que gosto destas coisas, o blogger também cumpre a sua função em explicar que às vezes me dói ficar sozinha em casa, talvez alguns amigos comentem nas minhas costas a aparente calma solidão que trago nos ombros, a todos, embora que custe a devassa da privacidade (juro que gostava de saber ser ermita com estilo), vos agradeço.
Tenho para mim (e posso estar redondamente errada) que da vida levamos aquilo que aprendemos, os sabores, os cheiros, as ideias e todos os contrapontos. Comigo levarei tudo o que conseguir emborcar, dos vinhos (é o mais fácil, há sempre uma garrafa cá em casa) aos poços que são os museus e os teatros do mundo.
Já dizia a Tiny Ruins - 'nobody feels old at the museum, nobody feels cold at the winter gardens'