sábado, janeiro 17

Incrível o número de músicas que já se escreveram sobre mim, sobre a minha vida. O Beck, o Nick Cave, o Jarvis Cocker, os Air, a Feist, gente que eu pensava que nem sabia da minha existência.  Ter-se-ão sentado na mesa atrás da minha no café? Serão eles os anónimos leitores deste blog? Ou exponho tudo em demasia no tumblr?  E as histórias que nunca contei a ninguém?, as angústias, os segredos, os medos, onde os foram desencantar para os voltarem a contar assim ao meu ouvido?  E o Chico?, como inventou ele a minha vida toda mesmo antes de eu ter nascido?
E quem lhes disse, a eles todos, que podiam escarrapachar tudo por cima de meia dúzia de acordes e cantá-las ao mundo?
É que nem estou preocupada com os royalties! É mesmo uma questão de devasa da vida privada. Tivessem ao menos a decência de me convidar para um copo, tocar agora a campainha,  cabelo molhado, camisa meio colada da chuva fria que cai lá fora (o Chet Baker insiste agora mesmo, outra vez - tantas vezes - 'Everything happens to me'), partilharia de bom grado esta garrafa de tinto que acabei de abrir. Olhar-me nos olhos, aquecer-me as mãos,  não lhes ficava nada mal sentarem-se ao meu lado no sofá enquanto eu vejo um BBC vida selvagem. Afinal, quem não gosta de embondeiros e lemures de Madagáscar? Tenho alguns episódios gravados e aa delícias da natureza sabem melhor a dois. Quem sabe se não daria uma música bacana, melhor até do que aquela outra meio básica do Discovery Channel.
Pensem lá nisso, meus queridos de vozes meladas e guitarra em punho. É o 5ºdto. Prometo não avançar com nenhuma acção judicial nem chamar os paparazzi. É só o justo acerto de contas. Isso ou umas musiquinhas felizes a fazer sentido nos meus dias.

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