já não te amo.
é mesmo assim. hoje não te amo.
hoje não quero saber se estás triste ou se estás contente. se estás onde querias estar ou se estás a remoer na tua cabeça a decisão estúpida que tomaste. que tu tomaste. sozinho. que quiseste tomar sozinho. foi provavelmente a primeira decisão que tomaste sozinho em muito tempo e só te posso dizer uma coisa - foi uma grande asneira. da grossa mesmo.
talvez nunca consigas chegar lá, talvez nunca ninguém te ajude a chegar lá, talvez nunca ninguém te diga com as letras todas, ou talvez seja só a minha verdade e, como já te disse, verdades, cada um tem a sua!, mas eu fui uma namorada do caraças! do caraças! e sou uma mulher do caraças!
inteligente, culta, pequena, cheia de genica, sempre pronta para fazer coisas, independente, nada lamechas, nada daquelas míudas que projectam coisas que vêem nos filmes, capaz de mudar de vida o número de vezes que for preciso, que luta pelo que quer e que no final do dia ainda sabe cozinhar, ainda cozinha e estende a roupa e não reclama de que é uma coitadinha. que faz isto tudo e que ainda tem energia para te fazer um mimo se o quiseres e de te deixar em paz no escritório à frente do computador se te apetecer.
do caraças!
que pinta paredes e desenha móveis e que deixou uma carreira segura por uma vida de empresária, sem sócios, que durante meses dormiu 3 horas por dia, com um olho aberto e outro fechado e que ainda assim não reclamou. e acima de tudo, que consegue a felicidade com um desenho, com uma flor, com um abraço.
foste burro. não viste o tinhas e decidiste largar tudo.
não aguentaste. porque só os homens querem mulheres fortes ao lado deles. e tu sempre foste um puto. quiseste continuar a ser um puto. tomaste a minha força por insensibilidade. tomaste a minha energia por não querer saber. tomaste a minha capacidade de decisão, de saber o que quero, de lutar pelo quero por intransigência. olha que não! nunca! lutei por nós com unhas e dentes, dei-te tudo o que pediste e mais, dei-te a liberdade, dei-te o espaço, dei-te os copos e os amigos, dei-te a minha positividade, dei-te parte da minha energia, dei-te elogios e motivação, dei-nos noites de sonho e dias fantásticos. mas não fui a tua mãe. não te obriguei a nada, nem a acompanhar-me quando mais precisava, não te obriguei a tratar de mim, não te forcei a coisas que não querias. e tu foste egoísta. porque eu andei com a minha vida para a frente, mesmo quando o tinha de fazer sozinha, tu fechaste-te no teu umbigo, achando que podias dar cada dia menos. não penses que eu não notei. notei, sofri, pedi-te para não o fazeres, mas não me humilhei, não exigi, não fiz birras. aceitei-te como eras, puto, com as coisas maravilhosas que os putos têm. Aceitei-te exactamente como eras. Todo. Aceitei que dormisses até tarde, que não me levasses a passear, que reclamasses da vida como se a tua vida te devesse alguma coisa. Aceitei porque abraçavas como ninguém. E porque esses abraços valiam muito mais do que todas as outras coisas do mundo juntas. Porque esses abraços valiam muito mais do que todas as tuas falhas. porque a forma como a minha cabeça encaixava no teu ombro valia milhões.
e tu fodeste tudo.
um dia, do nada, saíste porta fora e não olhaste para trás. não quiseste discutir comigo coisa nenhuma. foste procurar o que achavas que eu não te dava, sem sequer saberes o que isso era. foste egoísta. o teu umbigo. o teu grande umbigo.
e de cada vez que voltas a casa, para pegar nas tuas coisas, para discutir quem fica com candeeiro ou quem leva o microondas, tu e o teu grande umbigo, voltam a tocar-me nas feridas que eu com tanto esforço tento curar. voltam a fazer o olhar triste de quem tem dúvidas, voltam a pedir o abraço, ou a oferecer o abraço que para mim vale este mundo todo e voltam, tu e o teu umbigo, a pôr-me em suspenso, a pôr-me à espera que talvez acordes e digas - que burro! desculpa-me! vou tratar-me deste egoísmo profundo! vou voltar a ter tanto mais para te dar do que este abraço pesaroso e repetido de adeus.
não quero ser tua amiga. já te disse. faz-me mal. e 12 anos de vida em conjunto não se esquecem. e tu saíres porta fora sem discutir comigo não se esquece. e eu não quero voltar para a relação que eu adorava, que eu amava profundamente, que eu achava que era a melhor coisa do mundo, porque já não acho, porque já não acredito nela. porque já não acredito em ti. terás sempre os melhores abraços do mundo, mas estou segura que conseguirei a ensinar outros a abraçar-me assim.
não quero ser tua amiga mas se quisesse dizia-te para acordares. para cresceres. para descobrires o que perdeste e porque o perdeste. diria-te (já te disse mas não quiseste ouvir) para ir pedires ajuda profissional, ou para abrires o teu coração a alguém sensato e não a putos ou a pessoas com o mesmo egoísmo que tu.
não voltes a dizer que me adoras. não voltes a dizer que eu sou a maior. não voltes a olhar para mim com lágrimas nos olhos nem voltes a pedir um abraço. não termines as mensagens com beijos. não queiras por egoísmo que eu ainda goste de ti. sê altruísta e deixa-me seguir a minha vida. aceita a tua própria decisão de me deixares e deixa-me. deixa-me de vez. e deixa-me odiar-te. aceita que esta foi a tua escolha.
amar-te-hei enquanto me lembrar dos teus abraços mas hoje não. hoje não te amo.
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