sexta-feira, maio 19


os dezanove estão de mal comigo. e sim, são as noites o pior.

os cactos foram morrendo pouco a pouco nos últimos meses. o último, o meu mais adorado, o fálico quase digno do Entroncamento, deu hoje o último grito de dor e morreu pelo pé, uma semana depois de ter quebrado pela cintura. A natureza move-se de formas misteriosas.

acordei hoje às seis da manhã a tentar, deste quarto no 3º andar, ouvir os teus passos na rua, persianas corridas, o ouvido de tísica esticado fachada abaixo e a Adília com um ataque de asma e o prenúncio de que as palavras estão gastas. já nada em ti me pede água.

a matemática dá-me hoje a volta (eu, que era tão boa a matemática, ciência tão deliciosamente exacta neste mundo tão cheio de incertezas) e diz que, afinal, a equação mais simples de todas é por vezes a mais difícil de resolver e um mais um já não sabem ser dois.

desligo a caneta e o Erlend Oye sopra "i don´t know what i can save you from"
provavelmente não posso

deixo-te de presente a liberdade toda

1 comentário:

mac disse...

não há como dar boas dicas sobre viver, ninguém sabe.
agora, o que se pode é oferecer ombros amigos para despejares a estafa de angústias. ao dispor e best of luck.
sabes, às vezes, o mesmo destino marado que desfez, volta a compor ou então corrige a mão e manda para outro lado as guardas de honra da vida das pessoas.
e entretanto?
entretanto, inspiras, expiras, inspiras, expiras e vais fazendo o favor de sobreviver até passar o vento que açoita lá fora as folhas caídas das árvores.