sexta-feira, novembro 4

Insónia


Continuo na mesma. Há duas horas na cama e ainda só sei como brincam com o vento as sombras na parede do quarto.
Alguém devia apagar as luzes todas do mundo. lua apagada. tudo escuro até qualquer lembrança de cor desaparecer. até o cérebro desistir de resistir.

Amanhã nunca é outro dia.
Merda para a pedra que me entrou no sapato depois do almoço e que ainda não deixou de doer no pé com esta dor que nunca é física e antes fosse.

Afinal não estou aqui sozinha. Há um bicho verde a tentar partilhar a almofada comigo. O mais provável é esta almofada já ser a dele e eu a intrusa. à quanto tempo não durmo neste quarto? O bicho verde desfoca-se ensonado para a lente da fotografia. Resmunga contra o flash a zumbir só com as asas e voa para debaixo da cama onde sabe que eu não vou, por guardar por essas bandas os monstros do dia a dia. (e eu que só queria levar a fotografia para mostrar na cidade com quem divido a minha cama nas noite de vento na terrinha)

Os dois comprimidos começam finalmente a pesar nas palpebras.
Vou apagar o azul da caneta.

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