domingo, março 12

Fui à terrinha


Aqui, no centro de recuperação e reabilitação privado, oferta da minha mãe, não há contas para pagar.
Terapia única à base do silêncio absoluto do rumor das águas com pitadas de pio de mocho no fundo do terreno e essencias de erva molhada.
Não se riam que não é caso para isso, é só o meu quarto psiquiatricamente branco com uma flor deixada pela única pessoa que alguma vez me bateu de chinelo, cortada da japoneira no hábito das sextas-feiras da esperança que talvez eu passe por lá.
Tenho dois sapos borbulhosos e opulentos, lentos, a guardar-me a porta escondidos no canteiro das dálias que este ano ainda não ameaça despontar.
Este meu canto tem bichos e galhos-sombra, tem o farol que me alumia o quarto cada 3,4 segundos e tem a tua ausência a suar pelas paredes.

2 comentários:

Goiaoia disse...

Sabes que nunca tive terra?
Eu e a minha irmã chegámos a Lisboa com 8/9 anos, sensivelmente,. (já nessa altura me dava vontade de rir. Chamavam-nos retornados. - A mim? Mas se nasci lá... retorno d'onde?
Mas vê, 1.ª classe, e essas coisas comá Páscoa e carnavais mais ós anos nóvos e batais:
- Onde é que vais?
-- Vou p'á Terra.
Terra. Com t grande.
que inveja! Não é com te faltar um pai ou, pior ainda, uma mãe. Mas é chato. Dentro do teu universo de pertença falta-te algo.
Tu retempera-te!
(Ganda mãe! Com intérnét e tudo. Ou isso ou um cangaroo. Mas mesmo assim, ganda mãe! Quem tem mãe tem tudo!

Goiaoia disse...

áh! Reparei agora nas datas.

Pá, tu escreve. tu Manda um postal. tu Vai lá ós CTT. Lá da terra se tiver que ser.

Ei, a Corda! Passa-me Acorda.