sexta-feira, setembro 11

Um dia, antes de dormir, pintei o cabelo de cor de rosa (foi ontem), para descobrir no dia seguinte que essa era a exacta cor tendência para a próxima estação.  Ainda antes de descobrir isto, porque da janela do meu quarto que dá para nascente e às 7.21, depois de calar momentaneamente o despertador, me informa da metereologia, havia nuvens que não me deixavam ver o plátano gigante do separador central da avenida, decidi ainda no ninho, edredon de meia estação enfiado até ao nariz, que hoje sairia de casa de casaco e quis o acaso que o primeiro da terceira gaveta a contar de cima fosse rosa como o meu cabelo e como a tendência,  como vim a saber mais tarde.
De rosa, por acaso, pintei os lábios apenas porque não gosto das coisas muito arrumadinhas e já tinha as unhas de vermelho. 
Antes de sair de casa, mesmo antes de rodar a chave, já passavam das 8.17 e os segundos já contavam na minha cabeça - daqui à padaria 143 segundos,  da padaria ao hostel 66 segundos,  escadas a galope, pousar carteira e chaves 43 segundos,  quanto tempo leva a água para o café ferver (depende da temperatura da água no cano, se já alguém acordou e puxou a água quente do termoacumulador ou se ainda há o vazio da noite) entre 65 a 98 segundos, ainda falta pôr as compotas e o gelo à volta dos iogurtes, enquanto rodo a chaves de casa e faço a matemática possível,  ainda olho as rosas de Carreço, secas, e lembro-me que rosas eram as flores onde pousavas os olhos nos grandes e calmos dias de Setembro e corro dia fora.

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