quinta-feira, outubro 27

Deve ser o whiskey. Ou a aproximação do dia dos mortos - tenho tantos quase-mortos enterrados neste dia. Gostava que houvesse um cemitério onde ir deitar as flores. Talvez pudesse fazer como a minha mãe e deixar em cima da pedra um vaso com suculentas, daquelas que não precisam de atenção, a quem basta a água da chuva no inverno e o sol do verão. Poder esquecer-me de todos eles. Prestar homenagem uma última vez, e sentar-me em paz a fazer outra coisa que não bordar a saudade.
É do whiskey, certamente. Mas sendo escocês, não deveria saber o que é saudade. Devia só emborrachar-me e tornar a bochechas vermelhas e fazer o nariz pingar e gritar impropérios com sotaque enfrascado e nasal. Quem diz que a saudade é coisa lusa?

Sem comentários: