Resistir a enviar-te uma palavra é a minha missão do dia. Entretenho-me com quem não me interessa e só a tua ausência revolve no meu estômago. Hoje, por tua causa, ou melhor, pela tua causa perdida em mim, quase não comi. Fiquei-me pelo pequeno-almoço e quatro chavenas almoçadeiras de café. O caixote do lixo dos amores imperfeitos continua a ser vasculhado pelos ladrões de sonhos, e as tuas cartas aparecem todas as manhãs espalhadas nesta cama que não é a minha mas que foi de onde te escrevi. Como se nos lençois já tantas vezes lavados e onde nunca te deitaste, nesta aldeia que nem sabes onde fica, tivesse ficado impresso a permanente saudade a paixoneta que te tinha.
Sai de mim coisa ruim, sussurro antes de dormir, mas pela manhã (e às vezes pela noite dentro) lá me apareces de cartas em punho, todas dobradas, apertadas numa fita vermelha, elas que nunca foram físicas, todas escritas em papel virtual, nem o meu cheiro tinham, e tu com elas na mão, de camisa engomada metida dentro das calças - neste frio, rapaz, veste uma camisola, pelo amor da santa! - a olhar como quem vê os comboios a passar. Pedro pedreiro terceiro esperando o trem. Será que alguma vez vais entrar na carruagem?
terça-feira, dezembro 6
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