A tristeza é uma coisa muito bonita e isso é um problema. 2 lágrimas a escorrer numa cara, o silêncio, os gatos sem brincadeira, a luz de manhã de verão a entrar pelas frestas da persiana do quarto virada para nascente a bater em bolas nas minhas pernas - é tudo muito bonito. Esteticamente muito bonito. A cafeteira a fumegar para dentro da chávena pintada, a calma de quem já perdeu o que tinha a perder - apostou à grande e correu mal, já chorou, agora é a calma resignada - os livros e música, um chá com gengibre a arrefecer na cozinha, um pêssego careca comido à dentada muito devagarinho. A aceitação. O gato amarelo a miar à minha procura - estou na varanda -, que a tristeza cheira-se até do meu quarto onde adormeceu, mesmo por baixo do incenso que a Laura acendeu na cozinha enquanto roda os tachos para replicar a paella à valenciana do seu pai.
Se houvesse mais sol a tristeza secava, mas a minha casa é de solar de inverno e fresca no verão - cenário perfeito para a tristeza se pendurar nas paredes entre os quadros tortos, quase todos os dias do ano.
A Duras que é minha mãe de tristeza na parede e na mão - o amante da china do norte. E é agora que me fazes falta para que o quadro da tristeza fique completo - tu na minha cama, a fazer amor comigo pela última vez, duas vezes pela última vez.
Se houvesse mais sol a tristeza secava, mas a minha casa é de solar de inverno e fresca no verão - cenário perfeito para a tristeza se pendurar nas paredes entre os quadros tortos, quase todos os dias do ano.
A Duras que é minha mãe de tristeza na parede e na mão - o amante da china do norte. E é agora que me fazes falta para que o quadro da tristeza fique completo - tu na minha cama, a fazer amor comigo pela última vez, duas vezes pela última vez.
Amo-te agora, finalmente, na tristeza de já não te ter.
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