sábado, abril 26

ainda me dói ouvir-te dizer "não quero uma vida normal". porque não sei o que é uma vida normal. a minha vida de normal não tem nada. sempre lutei por novas coisas, todos dias. pinto e desenho e escrevo e crio coisas novas todos os dias, fervilho de ideias que todos os dias ponho em prática - fotografias, paredes, museus, livros, filmes, móveis, passeios pelo parque. onde está o normal que só tu viste, fechado no teu computador? vida normal é o que vive quem não luta por nada, quem não se dá ao trabalho, quem se arrasta todos os dias do trabalho para casa e de casa para o bar do costume, isso sim é uma vida normal. e quem se queixa à mesa do café mas no final do dia não fez nada para mudar nada, para além do óbvio apoio à industria cervejeira.
sempre quis o mundo inteiro, todos os dias lutei pelo mundo inteiro. lutei por ti, por nós, pela ecologia e contra as guerras. e tu roubaste-me, de um dia para o outro, o direito ao meu ninho, ao ombro onde pousar a cabeça no final da luta. roubaste-me a paz como se ela fosse tua.
fugiste porque não soubeste ser maior. e a vida nunca será extraordinária para quem cruza os braços ou foge dos perigos.
dei-te o mundo inteiro, a força do mundo inteiro e tu não soubestes olhar para além do teu umbigo.

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