De volta a casa por três dias e duas coisas me inquietam.
A primeira é grave.
É como quando faço o primeiro exercício de yoga tibetano, logo de manhã (o meu preferido) - braços abertos à altura dos ombros e rodopiar 21 vezes sobre mim própria, jogo de criança, muito rápido, mais rápido, terminando sempre naquele atraso do cérebro em perceber que o corpo já parou e os olhos, a olhar fixos para a frente, vêem o fundo da sala que estão nas minhas costas e volta devagarinho, quase tímido, 'adiantei-me, não foi?'. É o gato. Sabendo eu que ele já não mora aqui, o canto do meu olho vê-o a toda a hora em todas as esquinas - é a sombra das folhas das plantas da varanda ao vento ou só a minha sombra mas é o gato, o canto do olho vê o gato que deixei em casa da minha irmã há mais de 1 semana, o gato de quem recebo notícias diárias - continua tímido, aparece só meia hora depois dos miúdos irem dormir e mesmo assim a medo, mas ontem já ganhou coragem e se esticou no mimo do sofá ao lado do meu cunhado.
O gato é o primeiro.
O segundo são as chamadas não atendidas de números não identificados. Como o gato - sombra, canto dos óculos, folhas ao vento - as chamadas que não tocam, não oiço, ou oiço mas não consigo atender a tempo (e corro, juro que corro) e que são a sombra de serem tuas.
quinta-feira, fevereiro 11
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