Não é pelas flores nem pelos bombons. Não é pelo voucher para o spa ou pelo jantar fora, nem pelo pequeno-almoço na cama ou a dispensa de dobrar as meias.
É pelos 3/4 das tarefas domésticas que as mulheres ainda abraçam em Portugal, é pela disparidade salarial, é pelo crescente risco de pobreza, é pela quase ausência de mulheres nos cargos de chefias das empresas e na política. É por todas as que morreram ou foram vítimas de violência nas mãos de quem ainda acha que elas são propriedade e não pessoas. É pelas raparigas argentinas que estavam a pedi-las por viajarem sozinhas. É pelas que não ousam usar mini-saia para não terem de ouvir o que não merecem. É pelas raparigas que ainda são chamadas de maria-rapaz quando não gostam de cor de rosa. É pelas mulheres que até têm sorte porque os parceiros até ajudam. É por mim, por em 2016 ainda ter de dar um toque quando chego a casa à noite para os amigos saberem que não fui atacada.
É por todas todas todas as mulheres de todo todo todo o mundo que ainda têm medo, ainda têm rédeas, ainda não podem ir à escola ou beber um copo de vinho num bar sozinhas depois de um dia de trabalho.
É por todas todas todas as mulheres de todo todo todo o mundo que ainda têm medo, ainda têm rédeas, ainda não podem ir à escola ou beber um copo de vinho num bar sozinhas depois de um dia de trabalho.
'Mrs Dalloway disse que ela própria ia comprar as flores', quanto ao resto, era bom que a sociedade se mexesse.

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