de querer dias novos (apenas porque sei que não me vale de nada pedir uma vida nova embora acredite que esta ainda deveria estar na garantia e não ter dúvidas de que estava estragada logo de início e não foi por obra minha que isto descarrilou), medi a parede toda, fiz 40 cálculos e pendurei o espelho da bivó Helena na parede do quarto.
de querer novos dias e ser impossível começar de novo sem arrumar a casa, arrumei o coração acabando uma relação que nasceu morta no dia dos mortos e que assim, morta, passeei no coração e nas cartas durante quase um ano.
de querer começar com gratidão fiz um bolo para os senhores agentes da autoridade que não conseguiram salvar o cão e entreguei-lhes em mão com uma carta de sincero agradecimento.
para que ninguém saiba da mudança escrevi dois artigos de jornal a fazer de conta que o mundo ainda me interessa, que ainda estou disposta a mudá-lo nem que seja centímetro a centímetro, que está tudo bem, tudo igual.
de querer remediar a vergonha de ter enrolado e dobrado e cortado um Paul Klee há mais de 2 anos, hoje pendurei a martelo a senhora da Saxónia na parede do quarto.
o que ainda não mudou - e não sei se mudará alguma vez - foi o facto de às 19h gmt (Greenwich onde fui tão feliz durante seis horas) ter aberto uma garrafa de tinto e lentamente ter cozinhado o jantar que às 21h já não me apetece comer.

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