terça-feira, setembro 27

À poesia contra a qual tantas vezes reclamei ter-me mal-educado, lixando à brava a minha capacidade de ter 10 dedos de pés (e plantas) presas ao chão, mesmo quando teimo em andar descalça,  culpada maior desta minha vida aérea com os olhos pousados entre as flores e o eterno copo de vinho, ignorando tudo o que não cabe num poema e para que se saiba, só li O'Neill que contém todas as coisas mundanas, e o Helberto Helder que tem até as contas do gás muito mais tarde, quando a mania estava tomada, a essa poesia, eu hoje, de joelhos no chão agradeço.
E mais, quem se atrever a dizer que a poesia não sabe para nada terá de se ver comigo. Sem dó nem piedade, argumentarei que há dias (claro que há) que temos de partilhar com perfeitos anormais e quer o bom senso e a economia de esforço (nunca mudarás um perfeito anormal, na pior das hipóteses, o perfeito anormal muda-te a ti, trazendo um azedo à boca e rugas à testa e uma profunda desilusão na espécia humana) que tenhas um mundo alternativo, povoado de mares calmos e cálidos dedos e ondas de cabelo e platónicos amores e ninfas que te abracem e que sussurrem ao ouvido palavras loucas ouvidos moucos do quadro da Iva Viana que tens na sala.
Nem sempre (ou talvez raramente, sou fraca pessoa para o atestar já que quase nunca lá vou) a realidade é o melhor sítio para se estar.

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