Recentemente descobri um poema chamado 'to Helena'. Eu já li muitos poemas escritos para a Helena, mas eu não sou a de Tróia. A minha beleza não faz ninguém virar a cara na rua, quanto mais inspirar campanhas bélicas e mortos, nem tenho a força fria das mulheres de Atenas, nem a minha dor é tão cinzenta como o Chico canta, são outra Helena, essas musas.
Eu sempre quis ser um poema. Uma coisa simples em folha de papel, preto sobre branco, tinta sobre tronco de árvore morta, material mastigável, saboreável, deglutível, intragável às vezes, dar nós nas gargantas, furar úlceras no estômago. Ou borboletas. Atravessar as mucosas gastrointestinais e espalhar-me feito vírus, fazer corar a pele e levantar os pêlos, provocar contracção dos músculos pélvicos e erecção dos orgãos genitais.
(não ter corpo, nem pernas, nem mamas nem cabelos por pentear)
Depois contrair-me, agarrar-me ao nervo vago, colada ao diafragma, memória esquecida e visceral, feito sombra à espera do momento solar onde possa, sem testemunhas, encostar a ponta da faca à base do coração ou ao umbigo - os lugares onde vivem as humanas inquietações - no segundo exacto em que os pássaros cruzam os céus.
Recentemente descobri um poema chamado 'To Helena'. É do Ruy Belo e eu, afinal, sou um advérbio.
Eu sempre quis ser um poema. Uma coisa simples em folha de papel, preto sobre branco, tinta sobre tronco de árvore morta, material mastigável, saboreável, deglutível, intragável às vezes, dar nós nas gargantas, furar úlceras no estômago. Ou borboletas. Atravessar as mucosas gastrointestinais e espalhar-me feito vírus, fazer corar a pele e levantar os pêlos, provocar contracção dos músculos pélvicos e erecção dos orgãos genitais.
(não ter corpo, nem pernas, nem mamas nem cabelos por pentear)
Depois contrair-me, agarrar-me ao nervo vago, colada ao diafragma, memória esquecida e visceral, feito sombra à espera do momento solar onde possa, sem testemunhas, encostar a ponta da faca à base do coração ou ao umbigo - os lugares onde vivem as humanas inquietações - no segundo exacto em que os pássaros cruzam os céus.
Recentemente descobri um poema chamado 'To Helena'. É do Ruy Belo e eu, afinal, sou um advérbio.
'To Helena
Acabo de inventar um novo advérbio: Helenamente
A maneira mais triste de se estar contente
a de estar mais sozinho em meio de mais gente'
A maneira mais triste de se estar contente
a de estar mais sozinho em meio de mais gente'

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