quarta-feira, abril 3

Eu quero que alguém comigo acredite que ainda é possível ser se feliz. Não! Quero que alguém comigo diga que só importa ser-se feliz. Que comigo diga que se dane a imortalidade e as obras, os cifrões e a segurança na reforma. Alguém que comigo  faça uma proposta ao tempo para que este não nos aborreça mais com chamadas telefónicas ou emails ou prazos de entrega - 'damos-te, ó tempo, as meias para dobrares até ao fim de ti, para que também tu estejas entretido. Nós temos mais que fazer. A felicidade é um trabalho árduo e laborioso e já não nos sobram nem os 80 anos pela frente. Sai dji baixo.'
Quero alguém que tenha o vagar de antigamente nos finais de tarde, aquele respeito fúnebre pelo adeus ao sol, o desprezo sincero pelas horas no momento do abraço.
Afinal, é sempre de tempo que falamos quando falamos de amor.

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