sábado, junho 7

tenho pena que te recuses a crescer. que queiras ter 20 anos para sempre. que queiras repetir os mesmos passos que já deste, as mesmas festas onde já foste, os mesmo erros, as mesmas felicidades, em loop. tenho pena que tenhas medo do futuro e por isso te agarres aquilo que já conheces. tenho pena que não saibas ainda o que é o amor. tenho pena que sejas egoista ao ponto de não aceitares o amor. tenho pena por ti, não por mim. pena que não saibas o que é ter o coração cheio sem precisar de palavras ou correrias ou picos. tenho mesmo pena de ti por achares ainda, nessa infantilidade de quem nunca passou dos 17 anos, que há sempre um mundo que estás a perder. haverá sempre um mundo que estás a perder, milhões de mundos, independentemente de estares parado ou a correr. haverá sempre mil vidas que poderias ter, em cada gesto que fazes estás a escolher o teu mundo e ficar a olhar para os outros com inveja, querer apanhar todos os mundos é não saber viver bem dentro da própria pele. é normal aos 17, quando ainda somos coisa pouca, não nos conhecemos, não sabemos ainda caminho nenhum. tenho pena que aos 36 anos não tenhas ainda te encontrado e continues a correr e esconder-te nos clichés, atrás da barba da moda, da futilidade hipster de quem ainda não tem identidade própria, tenho pena.

tenho pena de ti porque pensas só no teu umbigo e não vês mais nada, porque não sabes dar incondicionalmente, sem pesar ou medir, não soubeste estar à altura do amor que tinhas, acobardaste-te e provavelmente vais voltar a fazer. dirás que não foste talhado para relacionamentos estáveis, e eu dir-te-ei que se isso é verdade, abstem-te de qualquer relacionamento, abstem-te de qualquer forma de compromisso. amor teenager não é amor, amor magro não é amor. os corações partem-se, as pessoas sofrem, há coisas que o tempo cura mas há cicatrizes que nunca vão desaparecer, há anos que nunca vão voltar atrás, talvez haja filhos que eu nunca poderei ter.

tenho pena por ti. por mim só tenho pena que tenhas demorado tanto tempo a deixar-me, que tenhas posto a mão na minha barriga todo o verão a perguntar quando íamos ter filhos quando se tivesses olhado bem para dentro de ti saberias perfeitamente que não estavas à altura. e choro ainda porque há 4 meses eu era feliz, era mesmo feliz, e amava-te incondicionalmente, e sonhava com a nossa família e com o tudo o que poderiamos fazer juntos. e agora ainda sou uma ferida à espera que o tempo crie cicatriz e que estas coisas todas, esta tua traição ao amor que te dei, todo o amor do mundo, esta mentira, deixem de ter importância. e choro também porque tu não estás feliz, como nunca foste feliz, e que isto que fizeste foi só uma violência gratuíta que não fez bem a ninguém. espero que um dia chegues lá.

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