Um dia, por acidente (ou por sorte), descobres que gostas de dançar e pegas no telefone e ligas-me.
É sempre por sorte (ou por acidentalmente nos apaixonamos por uma bailarinha) que descobrimos que gostamos de dançar.
Eu tive sorte - a educação rigorosa da minha mãe ditava que se não gostas comes mais para aprenderes a gostar e da primeira vez que alguém me convidou tive medo do raspanete e de te ter de dançar a noite toda e lá aceitei.
A princípio é simples - é pôr os pés descalços em cima dos pés, descalços, do pai, mão pequenina dentro da mão gigante e rodopia-se pela sala. Depois também é simples - anca para um lado, pé oposto acompanha, anca para o outro, pé oposto acompanha, mãos nos bolsos, cabeça baixa, o adolescente que também não sabe nada daquilo à tua frente também ensaiou no espelho do quarto aqueles passos e está tudo feito. Mas depois as coisas complicam-se, a música fala mais, sabemos a letra, estamos no sitio certo, a música certa, já tens memórias coladas aquilo - já foste feliz ou já choraste ou já limpaste a casa ao som daquela música, já não podes pôr as mãos nos bolsos e fazer as grunge - vou contar-vos, caríssimos leitores que sei que não há (sim, eu espreito a estatística do blogspot volta e meio e sei que escrevo para 3 ou 4 lindos fantasmas) que quando estive desterrada em Knoxville, Tennessee, EUA, faziamos umas festas caseiras para fugir ao embargo alcoólico e cultural dos sábados à noite e a minha dança - olhos no chão, cabeça baixa, sem qualquer espaço para contacto físico, mãos enfiadas nos bolsos e coração em Portugal - pegou e no dia da despedida, os meus amigos, a Laura de Espanha, o Manuel, a Márcia e a Gelza do Brasil, o Pato e o Antonio do Perú, o Irakli da Geórgia e a Maria da Rússia botaram o I'm a scatman e dançaram a dança da Helena. Foi triste e espectacular ao mesmo tempo, lindo pela homenagem, triste de os ver todos com os olhos no chão.
Agora sei que não é assim que se dança e embora não saiba se foi por nunca dizer não a uma ciência que desconheço ou se foi esta coisa de não sofrer de grande vergonha, um passinho de dança é coisa que nunca recuso. Deixar o baixo entrar e ditar o movimento dos calcanhares, deixar o piano dar andor às ancas, ouvir as palavras e deixa-las franzir os olhos, ignorar o joelho partido, o cabelo solto, ignorar a falta de espaço (a minha música não toca em grandes pistas de dança), ignorar até que a Joana não está ali a dar o ritmo.
Como dizer-te... lembro-me de te perguntar (era Julho e chovia e estavamos os dois gelados) do you dance? e lembrar-me-ei para sempre sempre que disseste que não ao mesmo tempo que pegaste na minha mão e rodopiamos pela sala.
É sempre por sorte (ou por acidentalmente nos apaixonamos por uma bailarinha) que descobrimos que gostamos de dançar.
Eu tive sorte - a educação rigorosa da minha mãe ditava que se não gostas comes mais para aprenderes a gostar e da primeira vez que alguém me convidou tive medo do raspanete e de te ter de dançar a noite toda e lá aceitei.
A princípio é simples - é pôr os pés descalços em cima dos pés, descalços, do pai, mão pequenina dentro da mão gigante e rodopia-se pela sala. Depois também é simples - anca para um lado, pé oposto acompanha, anca para o outro, pé oposto acompanha, mãos nos bolsos, cabeça baixa, o adolescente que também não sabe nada daquilo à tua frente também ensaiou no espelho do quarto aqueles passos e está tudo feito. Mas depois as coisas complicam-se, a música fala mais, sabemos a letra, estamos no sitio certo, a música certa, já tens memórias coladas aquilo - já foste feliz ou já choraste ou já limpaste a casa ao som daquela música, já não podes pôr as mãos nos bolsos e fazer as grunge - vou contar-vos, caríssimos leitores que sei que não há (sim, eu espreito a estatística do blogspot volta e meio e sei que escrevo para 3 ou 4 lindos fantasmas) que quando estive desterrada em Knoxville, Tennessee, EUA, faziamos umas festas caseiras para fugir ao embargo alcoólico e cultural dos sábados à noite e a minha dança - olhos no chão, cabeça baixa, sem qualquer espaço para contacto físico, mãos enfiadas nos bolsos e coração em Portugal - pegou e no dia da despedida, os meus amigos, a Laura de Espanha, o Manuel, a Márcia e a Gelza do Brasil, o Pato e o Antonio do Perú, o Irakli da Geórgia e a Maria da Rússia botaram o I'm a scatman e dançaram a dança da Helena. Foi triste e espectacular ao mesmo tempo, lindo pela homenagem, triste de os ver todos com os olhos no chão.
Agora sei que não é assim que se dança e embora não saiba se foi por nunca dizer não a uma ciência que desconheço ou se foi esta coisa de não sofrer de grande vergonha, um passinho de dança é coisa que nunca recuso. Deixar o baixo entrar e ditar o movimento dos calcanhares, deixar o piano dar andor às ancas, ouvir as palavras e deixa-las franzir os olhos, ignorar o joelho partido, o cabelo solto, ignorar a falta de espaço (a minha música não toca em grandes pistas de dança), ignorar até que a Joana não está ali a dar o ritmo.
Como dizer-te... lembro-me de te perguntar (era Julho e chovia e estavamos os dois gelados) do you dance? e lembrar-me-ei para sempre sempre que disseste que não ao mesmo tempo que pegaste na minha mão e rodopiamos pela sala.
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