quarta-feira, dezembro 16

Dançar não serve para nada

(...) ; os nove diabos da civilização escondem-se debaixo do 3º andar do baile, os homens da pré-história não faziam bailes,  pelo contrário,  estavam sempre apressados,  não andavam à roda como os malucos que dançam, que dançar é também isso: não ter pressa, não ter medo (...)
Gonçalo M Tavares,  in  animalescos

Num mundo em que todos corremos atrás das coisas altamente úteis - o décimo-sexto casaco, a máquina de cortar ovos cozidos, o carro que dá 320, pulseiras brilhantes Swarovsky, o status para entrar no grupo de elite daqueles que por sorte ou artimanha ainda não foram detectados pelas malhas da lei, o mordomo para maltratar, eu continuo a preferir as coisas que não servem para nada. Talvez por também eu querer ser inútil,  não servir para cozinhar, ou dobrar as meias, ninguém contar comigo para equilibrar as contas domésticas, ninguém precisar de mim para coisa nenhuma. E ainda assim, no final do dia, cansada, depois de uma noite sem dormir às custas de 3 inundações, fazer bolachas que não hão-de servir para nada e ir para o sofá a réstia de esperança de que alguém,  mesmo eu não servindo para nada, mesmo até atrapalhando a cena como é meu hábito, alguém, obviamente não estando no seu juízo perfeito,  queira ser meu par.

Voulez vous dancer avec moi?

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