segunda-feira, janeiro 11

As memórias da tua ausência fui eu que as inventei. E mais, a tua personagem nos meus dias, as vezes que nunca nos sentamos a comer peixe à beira mar, os concertos nos quais nunca acidentalmente nos cruzamos, os poemas e os livros que ainda e talvez nunca partilharemos, é tudo uma decisão  minha de ser feliz sem te conhecer.
Por outro lado, levares-me no bolso até à Índia e sentares-me junto ao Ganges ou em silêncio  me deixares meditar num templo a Shiva, aqueles 3 minutos por dia em que me depositas um beijo ou a esperança de um bom futuro, essas tuas memórias da minha ausência nos teus dias, és tu, caríssimo, que as inventas.
E mesmo que cada um em seu canto, eu na Galiza e tu em Goa, mesmo que parvos, nós os dois temos um espaço que é só nosso e que só por azar ou graça divina havemos de nos encontrar nesta coisa que é a vida real e assim, complicar ainda mais a vida.

Mas o que eu gostava mesmo, era não  ter de te de contar estas coisas a ti, que me és tão  profusamente distante e ao mesmo tempo como unha. Poder não  querer contar-te este parágrafo  de livro, não  to enviar electronicamente até aos teus dias, tão  distantes dos meus. Queria que não  fosse contigo que eu quisesse falar, querer contar isto a um dos meus 13 amigos com quem passei os últimos  2 dias e o virar de mais um ano, mas só por mania (ou será mau hábito) a tua ausência é-me deliciosamente próxima e tivesse eu coragem acordar-te-ia agora mesmo 8 da manhã, agora que aqui quase 3 da manhã foi toda a gente dormir só para te dizer que aqui já foram todos dormir e que também eu estou pronta. Abandono-me ao mundo dos sonhos e assim tens tu cerca de 8h para me passeares por esse lado - deixo-te a chave para os meus sonhos debaixo do tapete, está um pouco empenada pela falta de prática, tens de puxar a maçaneta para a esquerda enquanto rodas a chave e dizer baixinho 'this is a man's world' 

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