domingo, janeiro 10

Os concertos de Dead Combo são  sempre uma delícia. Têm pés descalços  e barcos que nunca encontraram bom porto, têm batom borratado e dores de alma, têm Argentina, Lisboa, Spaguetti-Texas e Cabo Verde, mil mulheres com maquilhagem em excesso, cenas de burlesco, meias de vidro rasgadas, vielas, becos, toalhas aos quadrados com nódoas de vinho e um intenso cheiro a cigarros mal apagados. Têm cheiro a bifanas de beira de estrada e muamba, engates de fim-de-noite, olheiras, dores de um país que já foi e ainda é, embora só às escuras. Têm aquele sabor único a saudade, o travo amargo de se ser Português. Têm o som de gatos a roçarem-se nas pernas.
Hoje, sem vergonha, como se fosse só para mim, começaram com o 'e esse olhar que era só teu' (juro que pela primeira vez em quase 2 anos resisti à lágrima - haverá sempre sons que nos levam para sítios onde já não moramos) e acabaram com a 'lisboa mulata'. Impecáveis.
Pelo meio tiveram 'fado a pilhas' e não é difícil ser-se feliz assim



Sem comentários: