sexta-feira, maio 5

O Sindicato das Cartas de Amor

Sim, Pedro, sindicarizemos as cartas.

Para cada carta amarrotada, pena suspensa por 6 meses com direito a uma tarde de limpeza da mata nacional; 
para cada carta perdida, o carteiro terá de andar 15 dias com um letreiro onde se lerá 'eu perco cartas de amor'; 
para cada carta escrita e reescrita e nunca enviada (teremos espiões de pensamento no nosso sindicato, que verificarão diariamente as vontade de escrever algo e que vasculharão sem descanso os cadernos que as pessoas escrevem nas mesas de café quando se sentam sozinhas e as hesitações nos postos de correio) um senhor do fraque a passear atrás deles durante uma tarde a gritar 'faltou-te a coragem! Faltou-te a coragem!' 
Para as cartas não respondidas, a pena capital.

Fundaremos um exército de gente com selos em punho e senhas rápidas para os postos dos CTT. Teremos uma armada de papagaios loiros disponíveis em todos os quiosque payshop dispostos a levar as cartas para o outro lado e uma legião de pombos correios de anilha na pata para cartas telegrafadas stop.
Teremos sobre a nossa alçada todos o coros de santo amaro de oeiras e uma frete de autocarros dispostos a distribuir cartas cantadas por todos os canto do país e com serviço barato para o Luxemburgo (para começar). Teremos um escriva em cada aldeia para que o analfabetismo rural não sirva de desculpa.

Postais, fotografias com marcas de baton, envelopes cor de rosa perfumados e sobrescritos com caligrafia infantil serão prioritários e agora eu era o rei, era o bedel e era também juiz e pela minha lei a gente era obrigada a ser feliz.

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