sexta-feira, outubro 10

Entre a minha solidão e a tua há a distância dos telefones calados, o barulho dos autocarros que partem mais do que chegam, uma sinfonia de bolso a tocar na aparelhagem, um copo de vinho e outro vazio que insisto em pôr junto à garrafa apesar de saber que não vens (são manias).
Entre a minha solidão e a tua estão cigarros fumados ao frio, as frequentes olhadelas à caixa de spam e a imagem de um país distante onde nenhum de nós está.
Entre a tua solidão e a minha estão os meses de Verão chuvoso e o início do Outono, está o Ozu, estão as palavras honestas que de tão honestas parecem loucas e, entretanto, o meu copo de vinho já está vazio como o teu.

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