Já podia ir para casa. Ainda não é sequer meia-noite e podia ir dormir na minha cama. Mas olha, hoje trouxe-te até aqui e foi aqui que passei o dia contigo e agora não me apetece ter de lavar a loiça de há 3 dias e aperceber-me que só há pratos e copos e chávenas de café impares da solidão das horas das refeições e aqui nunca estou sozinha.
Se possibilidade houvesse de que estivesses sentado na soleira da minha porta, não tinha hesitado um segundo. Na sua ausência, agora que já aprendi a aceitar que a vida nem sempre nos corre como gostaríamos, opto por este quarto mais pequeno, quase austero - uma cama com colchão ortopédico duro quase demais para a princesa da ervilha (moi même), com roupa espalhada pelo chão e a máquina de limpeza a vapor a um canto.
Fico bem porque hoje te trouxe até mim e lá fomos felizes nesta minha maneira de nos inventar na minha cabeça. Vou abrir o livro e vou ler-te um ou dois parágrafos num esforço extra para não fazer o Gonçalo M. Tavares corar de lost in translation. Escolherei as mais finas palavras da tua língua para seguir os passos do senhor Valéry como se em Stratford-upon-Avon ele morasse. Depois, espero que aproveites a calada da noite para te ires embora de mansinho que não me posso dar ao luxo de viver embeiçada todos os dias por alguém que não existe e amanhã é domingo no mundo e toda a gente sabe que os domingos são sempre dias difíceis para os solitários como eu.
Se possibilidade houvesse de que estivesses sentado na soleira da minha porta, não tinha hesitado um segundo. Na sua ausência, agora que já aprendi a aceitar que a vida nem sempre nos corre como gostaríamos, opto por este quarto mais pequeno, quase austero - uma cama com colchão ortopédico duro quase demais para a princesa da ervilha (moi même), com roupa espalhada pelo chão e a máquina de limpeza a vapor a um canto.
Fico bem porque hoje te trouxe até mim e lá fomos felizes nesta minha maneira de nos inventar na minha cabeça. Vou abrir o livro e vou ler-te um ou dois parágrafos num esforço extra para não fazer o Gonçalo M. Tavares corar de lost in translation. Escolherei as mais finas palavras da tua língua para seguir os passos do senhor Valéry como se em Stratford-upon-Avon ele morasse. Depois, espero que aproveites a calada da noite para te ires embora de mansinho que não me posso dar ao luxo de viver embeiçada todos os dias por alguém que não existe e amanhã é domingo no mundo e toda a gente sabe que os domingos são sempre dias difíceis para os solitários como eu.
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