terça-feira, abril 25

O 25 de Abril

Antes de festa acabar (oh e é sempre bonita, a festa, pá!) gostava de ser uma desmancha prazeres. A liberdade é uma maluca e não sabe quanto vale um beijo e nós ainda não sabemos quanto vale a liberdade. A liberdade não é um presente que nos foi dado pelos que sofreram na pele os terrores da ditadura, como quem dá mais um presente no Natal às crianças. A liberdade conquistada em 1974 é uma chave, cabe-nos a nós saber usá-la. Por si só, a liberdade serve de muito pouco, se não pegarmos nela e assumirmos a responsabilidade que ela nos imputa. O facto de podermos reunir, de podermos protestar, de podermos casar e descasar e votar e viajar e de pensar e decidir, por si só, é só um luxo. É nossa obrigação,  dos filhos desta liberdade, de pegar nela e ajudar a construir um Portugal melhor. Se podemos, hoje, discutir - discutamos! Se podemos reclamar - reclamemos! Se podemos reunir, debater, intervir, participar, porque não havemos de o fazer?
Festejar o 25 de Abril com o cravo na lapela serve para homenagear quem deu tudo por ela, mas e amanhã? Não deveriamos honrar todos os dias este legado que nos foi deixado? A cidadania participativa é, na minha opinião, a nossa obrigação.  Ficar no sofá a ver a televisão já se podia antes desse Abril dos cravos.

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