sábado, abril 22

Helena, a bombista suicída

Também eu, um dia, farei um ataque um ataque terrorista.
Atirar-me-ei, feito bomba para a piscina, do cimo da torre eiffel ou da tocha da estátua da liberdade ou de uma linha de metro aérea japonesa ou de um arranha-céus de uma dessas cidades novas chinesas ou da piramide de Gizé ou tão somente do 8º andar direito frente do prédio Coutinho.
Quando o fizer, irei impecavelmente vestida de cetim vermelho Dior ou Versace com sapatos Laboutin que calçarei pela primeira vez quando estiver bem lá em cima, mesmo antes de saltar, para que as solas aterrem sem um risco.
Serei como um lenço de seda durante a queda, ou como aquele saco plástico a voar no passeio do American Beauty, mas aterrarei violentamente sobre 3 turistas distraídos nas suas selfies e 2 foto-jornalistas amadores especialmente convocados para o evento via dark web. Com sorte, os tacões agulha acertarão disparados num polícia desarmado que guarda a porta de uma zara do outro lado da alameda, perfurando-lhe um olho e tornando-o vedeta zarolha de talk-shows para o resto da sua vida. Espalhada no meio do chão atrapalhando o trafego, causarei ainda um tremendo acidente rodoviário por via do descarrilamento de um tuk-tuk que projectará um motociclista e um inocente senhor de fato cinzento pai de família numerosa numa distância nunca inferior a um quilometro e meio.
Para que o ISIS não possa reclamar do meu atentado, voarei para o meu fim com uma mala com a bandeira da unicef, uma pulseira orgânica de greenpeace, o vinil de apoio às vitimas das cheias de Moçambique de 1985 e um pirilampo mágico.
Oh será glorioso! Vermelho espalhado por toda a cidade, o vestido, os sapatos, o sangue meu e das minha vitimas, os mil novencentos e oitenta e quatro confetis vermelhos que tratei na mão esquerda, tudo estrelado feito um pacote plácido no passeio naufrago!
Amigos, façam atenção, será um absoluto massacre e, se estiverem bem preparados, poderão reclamar os vossos 15 minutos de fama a dar entrevistas à CMTV a dizer "ela era tão boa rapariga".


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