quarta-feira, agosto 26

Blue

Hoje se pudesse pintava tudo de azul. Pintava a parede azul de azul outra vez, o prato azul na parede, pintava-o exactamente do mesmo azul, retocava o poster do Rothko azul com o azul atacado pelo sol desde há 4 anos. As minhas meias, os meus jeans, a minha t-shirt azul, o cachecol do FCPorto que pousa na almofada azul à espera de dias felizes, tudo de azul. Azulava a música e a matemática do relógio como quem arredonda a saia, na espera do autocarro. O rio Cávado, o mar da Foz, o vestido da Berta, o céu de Agosto, a moldura azul com a ilustração das sombras chinesas da Hélia Aluai, cinquenta tons de azul, mil latas azuis no chão da sala.
Com sabão azul esfregar as camisas brancas, com o gel azul esfregar os azulejos do quarto de banho,  gritar azul do fundo dos pulmões na varanda.
Azul até aos cotovelos, azul na testa, dedadas azuis no copo, uma gota de azul no vinho, com spray azul transformar as framboesas em amoras e deixar pegadas de azul no soalho para não voltar a perder-me em dias tristes de Verão.

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