domingo, agosto 2

Domingo no mundo

Tocar à campainha do vizinho e dizer 'peço imensa desculpa, ainda mais num domingo à noite, se há noite em que deviamos não ser incomodados é a de domingo, sou conhecedora da regra de que ao domingo se sofre por antecipação a semana de trabalho de que não gostamos e humildemente assim desperdiçamos um dos 2 dias de repouso que os direitos ainda nos concedem, bem sei caríssimo, e embora não entenda, costumo ser respeitadora da regra, mas olhe, hoje as coisas não estão a correr muito bem e juro (pés juntos, dois dedos na testa -é assim? nunca fui à tropa nem escuteira) que tentei afogar a coisa no bidé, mas o raio dos nervos continuam aqui e depois de 2 copos de vinho, estômago vazio desde o pequeno-almoço (é Agosto,  caríssimo, trabalho mais que uma mula), pareceu-me boa ideia vir aqui tocar à campainha para saber se por acaso sua excelência sabe fazer cafonés. Volto humildemente a pedir desculpa pelo incómodo, bem sei que são dez e meia da noite, mas isto de estar para ali sozinha mais o gato não dá grande resultado e tem dias em que a coisa avaria e hoje - vou ser sincera, eu nem gosto que me mexam no cabelo - as coisas não estão fáceis de resolver e se não souber cafonar, por acaso não se importa que eu ponha só a cabeça no seu colo, enquanto a música toca? Está impecável, não tem nada que se preocupar, ainda há menos de 22h foi lavado e escovado e se está assim apanhado e meio desalinhado é porque hoje não tive propriamente tempo de me pôr em traje domingueiro. Prefere na minha casa ou na sua? Eu cá não sou esquisita, me dá igual, às 7.20 o despertador toca e eu vou à minha vida, só preciso de encostar a cabeça um bocadinho'

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