sábado, agosto 1

Entro no carro, depois de te levar a casa (sim, eu não sou de chamar taxis), e devia ser o Sérgio Palma ou o Jorge Godinho a cantar e não haver engates sub entendidos nos últimos versos e eu acreditaria estar a ter um momento divino. Eu e o auto-rádio temos uma relação de anos e raras são as vezes que ele me falha - há sempre alguém do outro lado com uma palavra certa, a música que já nem me lembrava, a conversa de café que me apetecia ter enquanto conduzo, mas hoje... na mouche, minha querida.
Sabes, também eu ando meia perdida e é uma delícia sentar-me contigo, um pouco sem norte, na varanda e os copos de vinho a fazerem-nos esquecer que tínhamos bilhetes para o teatro, o sol a desaparecer atrás dos prédios, pôr as coisas cá para fora, deixar as dores e as felicidades suar da pele.
Desculpa a cena da sobremesa há-de haver uma próxima e mais um e muitos jantares.

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