Um dia há de chegar o dia em que chegando a noite te contarei uma história.
Dir-te-ei, por exemplo, que hoje só fiz asneiras e que até o bolo que planeei desde manhã cedo para que não me faltassem ingredientes na hora do o pôr no forno, consegui falhar. Contar-te-ei que li mal a receita e que, não obstante a reforçada atenção nos ingredientes, não reparei que eram 2 bolos e não 1 e deixei amigos pendurados para o copo de pôr-do-sol. Tentarei, sem sucesso, explicar-te porque, vivendo num T3 sozinha, achei que a melhor forma de manter o bolo a salvo do gato era deixá-lo na varanda a arrefecer e sem qualquer vergonha, relatarei o quanto os meus amigos gozaram comigo por não ter escolhido a sala, ou o escritório ou o quarto de visitas.
Um dia há de chegar o dia em que chegada a noite e a hora urgente de me deitar - que eu trabalho cedo, mesmo aos sábados, mesmo aos domingos - eu chegarei à cama e sempre sem te acordar, sussurrarei que apesar de tudo (APESAR DE TUDO) tenho uma sorte do caraças e nenhum pássaro entrou na varanda, nenhum gato abriu a porta, as natas não coalharam e amanhã vai haver bolo de chocolate e natas com morangos caseiros para pequeno-almoço.
Um dia, meu amor, há de chegar o dia em que à noite, no dia seguinte, te conte outra história qualquer, acerca dos irlandeses ou dos dinamarqueses ou das miúdas que em pleno concerto estavam concentradas no telemóvel. e também sei, meu amor, que essa história não valerá de nada, será sempre um pretexto para enrolar as minhas pernas nas tuas e dormir descansada.
sábado, agosto 1
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