domingo, agosto 24

às vezes a vida dá-nos um pontapé e nem sempre é injusto, nem sempre é mau levar um pontapé. às vezes é mesmo o que precisamos, um valente pontapé na canela, daqueles que nos deixam a ganir e a dizer what the fuck. na pior das hipóteses faz-nos parar de correr um bocado. deixa-nos a mancar e a mancar passamos pelas coisas mais devagar, olhamos para elas com olhos de ver.
às vezes a vida dá-nos 20 pontapés e aí já não é tão bom. e só não entendo como continuo em pé, com as pernas todas pisadas, como ainda escovo o cabelo e vou trabalhar com um sorriso na cara. a mancar, toda negrinha, com o pulso torcido e neste momento só me questiono - o que é que é perciso para me deitar abaixo? e digo isto sem cinísmo. já nem reclamo com a vida. olho para o pontapé e digo - olha-me este? que quer este? o que é que eu não vi desta vez? como é que me vou virar? e é que vou! não tenham dúvidas! e não vai ser de gatas, nem com lágrima no canto do olho que isso já passou. isso foi um momento mau ali em Janeiro, talvez Fevereiro, mas já estamos quase em Setembro e Setembro é o meu mês!
se for preciso sei onde se vende um incenso "sai de mim coisa ruim", e ainda nem sequer experimentei acender velinhas à nossa senhora de uma coisa qualquer ou juntar-me à festa da igreja universal do reino de deus que é logo ali do outro lado da rua na minha casa, e até aposto que é divertido, que eu bem os ouço do alto do meu 5º andar aos domingos à noite.
vai tudo correr bem. daqui é a nada é Novembro, querida vida, e em Novembro eu tenho férias. 15 dias só para mim. e se até lá tudo continuar a dar para o torto, lá irei torta de férias, levarei o reumon-loção e uns brufens na mala et voilá mundo comigo, tudo isto terá importância nenhuma quando entrar no avião.
e se Dezembro continuar a empurrar-me escadas abaixo, oh do not worry, não há nada que eu não seja capaz de fazer.
querida mãe, vê se dormes qualquer coisa, que eu por aqui durmo muito bem.

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