Primeiro dia de Agosto e o tempo está frio e está cinzento e está triste. Hoje é um dia a preto e branco e não há sombras e como não há sombras não tirarei fotografias o que torna o dia ainda mais frio e cinzento e triste.
Se pudesse (ai se eu pudesse...) atirava-nos para o sofá - tu eu e o gato - cobria-nos com uma manta, fazia uma tarte de pêra e um chá de lúcia-lima e faziamos uma maratona de filmes, ou viamos a volta à Portugal em bicicleta a chegar ali à Avenida da Liberdade a partir do sofá, ou outra coisa qualquer, o dia inteiro em cima do sofá - é proibido pôr o pé no chão! Punha o rádio no on e no off o telefone. Não falariamos do massacre de Gaza, não pegariamos no computador. Se pudesse, hoje não saia à rua nem que os cigarros acabassem, nem que não houvesse nada no frigorífico e nos apetecesse gelado. Trancava a porta e abria todos os estores e ficavamos a olhar para o mundo a passar do outro lado do vidro.
Mais nada.
Os teus braços e os meus braços e as minhas pernas enroladas nas tuas.
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