O que ele não sabe, o meu amor, é que debaixo da manga comprida do casaco a que estes dias de Agosto sempre obriga, o meu braço direito trás sempre um desenho a lembrar-me que também o meu corpo pode ter melhores dias e que, apesar do vento e da chuva e das contas para pagar, apesar das más notícias e da crónica falta de liquidez, sou eu mesma que escrevo o meu fado e que há flores e pássaros e musiquinhas pop a pedir para serem vestidas em antebraços pálidos.
domingo, agosto 3
ele disse que se eu pudesse pintava mundo todo. todos os muros velhos, as paredes do meu quarto, cadeiras partidas, folhas de papel frescas e brancas, as costas de todos os amantes, fotografias antigas. é verdade, se eu pudesse juntava um pouco de amarelo, algum azul petróleo, risquinhas brancas, uma outra flor a este mundo tão triste. e este Verão tão incerto, tão cinzento a cada dois dias, este ano tão monótono, tão cheio de altos e baixos e mesmo assim tão feito de dias uns a seguir aos outros, pintava-o todo de trincha e havia de ser azul traineira, ou verde musgo húmido ao sol da manhã.
O que ele não sabe, o meu amor, é que debaixo da manga comprida do casaco a que estes dias de Agosto sempre obriga, o meu braço direito trás sempre um desenho a lembrar-me que também o meu corpo pode ter melhores dias e que, apesar do vento e da chuva e das contas para pagar, apesar das más notícias e da crónica falta de liquidez, sou eu mesma que escrevo o meu fado e que há flores e pássaros e musiquinhas pop a pedir para serem vestidas em antebraços pálidos.
O que ele não sabe, o meu amor, é que debaixo da manga comprida do casaco a que estes dias de Agosto sempre obriga, o meu braço direito trás sempre um desenho a lembrar-me que também o meu corpo pode ter melhores dias e que, apesar do vento e da chuva e das contas para pagar, apesar das más notícias e da crónica falta de liquidez, sou eu mesma que escrevo o meu fado e que há flores e pássaros e musiquinhas pop a pedir para serem vestidas em antebraços pálidos.
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