quarta-feira, novembro 25

A liberdade é uma maluca e não sabe quanto vale um beijo

Mesmo assim!
E o pior nem é ser uma maluca.  É pior que isso.
O meu pai costumava dizer 'se soubesses o quanto custa mandar, obedecerias para o resto da vida'. Eu sou a menina do papá, é certo,  mas sou ao mesmo tempo altamente crítica em relação a tudo o que ele diz, na esperança eterna de poder soltar-me do complexo de Electra - já consegui (maizómenos),  que o senhor não é infalível nem eu sou parva -,  mas nisto ele tem razão.  Nisto e noutras coisas que, como ele diz (ele fala muito) - quem tem de morrer de um tiro não morre de uma facada, e eu hoje gostava de ter a certeza de que não fui desenhada para morrer de amor - que seja de ser um atropelamento em plena passadeira e pelo menos é isto que a minha mãe suspeita, ainda hoje me liga diariamente para ter a certeza que eu cheguei a casa sã e salva.
Voltando ao título - isto aqui é sempre uma montanha-russa, perdoem-me! -, a liberdade! A tão almejada liberdade... juro-vos que adorava não a ter todos os dias  à minha espera à porta de casa. Alguém (alguma coisa que não fosse apenas o Adolfo, o gato,  a dizer que o jantar deveria ser iogurte) com planos que não tivesse ser eu que inventar,  alguma coisa já estabelecida - toma banho,  lava os dentes, come a sopa, arruma os papéis,  paga as contas,  arruma as sapatilhas que já tens 5 pares espalhados pela casa, pôe uma máquina a lavar que já não há meias e está frio, janta... janta!  isto da liberdade em que não há ninguém (só o gato e vota iogurte) que diga janta... ou só alguém que diga esquece os poetas, esquece as flores e as músicas com que o teu corpo insiste em tecer os dias  pensa nas coisas concretas  pensa no carro - e se avaria! -  pensa na reforma,  pensa que a partir de certa idade (a tua idade) o desemprego de longa instância é quase certo, abraça o medo em vez de abraçares a liberdade de poderes tudo - e se eu amanhã fosse para a Índia com este rapaz que não só é Índia como é Chico..
e oh pá... no meio desta liberdade toda ninguém merece ter alguém assim,  a desarrumar ainda mais aquilo que já é só um caos só.
dEUS nosso senhor, manda-me já um ditadorzinho, machista, alto (de preferência) para me libertar deste peso da liberdade que tenho de trazer todos os dias aos ombros. Passar-lhe-ei, olhos no chão,  todo o meu peso para cima dos ombros e prometo cozinhar a tempo e horas, todos os dias, pataniscas e arroz de grelos.
Amén

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