teres mãos e pés e teres uma morada para onde mandar cartas de amor.
era bom que alguma coisa fosse coisa mesmo coisa, matéria sólida,
esfera de metal ou árvore
e não só estes farrapos de imaginação fértil com que ocupo os meus dias.
não seres mais ses, teres mãos e pés.
saíres destas coisa que é o cérebro e nem que não me apareças à porta,
que tenhas telefone e conta de email e projectos para o futuro
e mesmo que não gostes de dançar, que tenhas voz para me recusares a dança
que tenhas até algum cansaço, que não te passeies pelos meus sonhos
como quem tem vida fácil e nasceu nos versos dos poetas
ou em playlist de bossa nova.
que hoje tivesses tempo porque tens pernas
e quisesses ir ao cinema e precisasses de um casaco porque tens frio
e no final dormisses comigo não por solidão
mas porque as minhas pernas e as tuas pernas
físicas, com ossos e músculos e pele
assim o decidiam.
teres um nome. uma palavra que eu possa gritar
ou sussurar baixinho para não acordar as flores.
e eu poder largar este jogo de viver no detalhe das sombras
abandonar a arte de melanColar no dedilhar da uma guitarra
e voltar a sujar as unhas no jardinar que é preciso.
e sairmos da folha de papel, tu e eu,
e da ponta dos teus dedos eu ser a continuidade da pele macia.
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