segunda-feira, novembro 9

quero ser para ti a coisa mais doce das coisas inúteis.
arrancar-me a ferros da partitura do Chico
e por contrato assinado e verificado pelo notário
ser tua de amor das 9 às 4
com folgas à quarta e ao sábado.
ser tua aos domingos apenas ao jantar.
ser inútil por não te servir para nada.
por contrato seres obrigado ao elogio fácil
da maciez da minha pele
e a um copo de vinho.
por contrato eu ter de ser gentil e ouvir com atenção as tuas histórias.
fora do contrato fica tudo o resto que quisermos
mas aviso desde já que não faço horas extraordinárias.
por contrato pré-nupcial renunciarmos de forma absoluta
à possibilidade do coração partido
e sermos,
por decreto,
só,
um para o outro,
o livrinho de quebra-cabeças que se passeia no bolso para as horas vagas.

E desalmadamente
desarmadamente
desamadamente
sermos o encosto dos dias do outro



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