terça-feira, julho 15
Hoje fui à praia, meu amor. Saí do trabalho às 6, passei em casa para pegar na toalha e no biquini e fui levar o Kafka à beira-rio. O nosso cantinho, junto às árvores, junto à água, estava ocupado. Um outro casal mais feliz que nós (tinham claramente todo o tempo do mundo) brincava e ria e dava corridas para a água. Eram bonitos, meu amor.
Sentei-me logo ali junto à entrada da água, onde as crianças pudessem chapinhar-me acidentalmente e corressem à minha volta no regresso à toalha - a relva tão fina ali na margem a vibrar com os pézinhos dos meninos.
É claro que tive saudades tuas, que pergunta... ainda entrei na água - já passava das 7, para ver se as mandava rio abaixo, mas veio uma brisa quente e o meu cabelo ondulou e eu ouvi a tua voz - o teu cabelo é tão macio - e as saudades enrolaram-se no vento que se enrolou nos cabelos e já não eram horas de mergulhar de cabeça.
Não tem mal. Eu vou habituar-me. Os portugueses são assim, habituamo-nos bem a esta saudade que nos deixa os olhos tristes. Também eu lhe arranjarei um canto confortável dentro de mim. Talvez a axila esquerda, ou no átrio direito que recebe o sangue do corpo inteiro. Ainda não sei. É dar tempo ao tempo e ver onde ela calha de morar.
Para já ainda tenho de a escrever, de a fotografar na minha sombra das árvores (consegues vê-la, meu amor, a saudade?), nos raios de sol tardio que atravessam as copas, de a deixar enrolar-se no vento nos cabelos, ainda tenho de a deixar ser coisa, de a deixar viver em todas as frases do livro que me deixaste, deixá-la estender-se, ganhar corpo até ela se cansar ou eu me cansar e comprar um voo para a Dinamarca.
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